Não existe a menor dúvida de que a cultura da empresa influencia e muito as ações de seus colaboradores. São vários os pesquisadores que mergulharam nesse universo para entender e comprovar o papel das empresas na vida em sociedade.
David Burkus e seus colegas da Regent University realizaram uma pesquisa que demostrou a influência da cultura organizacional nos comportamentos dos empregados e na forma de liderar. Os autores exploraram a influência do efeito da cultura organizacional no comportamento ético dos empregados e para isso estudaram dois casos com culturas diferentes: Enron e Zappos. De acordo com os pesquisadores, quando se olha a ética nas organizações, não se olha nos códigos de ética e nos guias de cultura para saber como se comportar, as pessoas olham umas às outras.
Culturas não-éticas fazem pessoas não-éticas
Já existe uma extensa literatura que demonstra que a cultura e o clima organizacional são cruciais para entender como uma cultura não ética facilita comportamentos e atividades não éticas (Trevino, Butterfiel $ McCabe, 1998; Dickson, Smith, Grojean & Ehrnart, 2001).
Os exemplos são muitos e eles mostram o quanto a cultura ética das organizações tem sido mostrada como influência no processo e julgamento dentro da dimensão de integridade (Barnett & Varcys, 2000). Outra pesquisa revelou que os Incidentes de comportamentos não éticos são explicados pela cultura organizacional.(Sinclair, 1993)
O resultado mostrou que existe uma relação entre o clima ético da organização e as decisões éticas dos colaboradores. A organização que foi moldada numa cultura e clima ético deveria ser menos tolerante com o comportamento não ético. Os valores e comportamentos dos lideres sênior também foram apontados como grande influenciadores do formato organizacional que serve como um mecanismo de liderança para criar e reforçar a cultura organizacional.
Critérios como: foco de atenção, reação a crise, modelo de papel, recompensa; critério de esconder e lutar, foram usados no caso do estudo da cultura Enron e o resultado demostrou como os líderes reagiam frentes a esses 5 mecanismos, criando uma cultura não ética que provocou a demissão de Enron – uma das maiores empresas de energia do mundo. Sua lista de valores principais são: 1) comunicação: temos a obrigação de comunicar; 2) respeito: nos tratamos uns aos outros como gostariam que fossemos tratados; 3) integridade: nos trabalhamos com clientes e prospectos abertamente, sinceramente e honestamente; 4) excelência: nos somos satisfeitos com nada menos que o melhor em tudo o que fazemos.
Mesmo assim, vários exemplos revelavam que a cultura era inversa aos valores pregados. Ao invés de reforçar o código de ética e a lista de valores virtuosos, as ações dos líderes estabeleciam uma cultura com valores como ganância e orgulho.
Inteligência moral se desenvolve sim.
Quem nunca ouviu o dito popular de que “pau que nasce torto morre torto”? Os especialistas em Bonsai também poderiam facilmente dizer o contrário. A verdade é que é possível os dois.
Lennik e Kiel criaram um teste moral (ICM), seguido de um Plano de Desenvolvimento Moral para despertar e fortalecer uma inteligência moral e acreditam que é possível combater o vírus moral através de terapias, mentoring, coaching ou demais trabalhos de autoconhecimento e desenvolvimento pessoal.
A energia emocional tem a sua origem naquilo que as pessoas acreditam e valorizam. Valores dão significado à vida das pessoas. A partir do momento em que estes são resignificados uma nova forma dinâmica interna é criada e uma nova forma de agir estabelecida.
Por isso é tão importante investir do desenvolvimento pessoal e no relacionamento interpessoal! Ampliar a consciência com fortalecimento interno ajuda a criar pessoas éticas.
Ética vem de berço?
Por mais que dizem que caráter e educação vêm de berço, existe uma luz no fim do túnel para aqueles que não receberam ou tiveram um modelo na própria família. Com ajuda, é possível quebrar padrões e internalizar novos valores. Quando a empresa tem uma cultura de princípios onde a ética e o respeito são inegociáveis, novos modelos trazem luz aqueles que nunca souberam da possibilidade de fazer diferente.
Empresas que investem no desenvolvimento de seus líderes e colaboradores investem para um mundo mais ético, justo e humano.
De acordo com os pesquisadores, o fortalecimento emocional atua em parceira com a inteligência moral e ajuda fazer escolhas morais, além de:
- Expressar opiniões impopulares e se manifestar abertamente pelo o que é certo
- Agir eticamente e estar acima das reprovações
- Construir confiança por meio de sua fidelidade e sua autenticidade
- Admitir seus erro e confrontar ações antiéticas dos outros
- Defender princípios difíceis mesmo que sejam impopulares
Mais do nunca é preciso ter força para nadar contra a corrente e se opor ao que virou natural e comum. Dizer não à maioria revela força interna e maturidade.
Quem reforça essa linha de influência e transformação pessoal é o Instituto Ethos que compartilhou palestras os estudos realizados na universidade Harvard, onde descobriu que o comportamento ético é resultado do crescimento individual e maturidade.
De acordo com essa pesquisa, o nível de maturidade influencia o comportamento corporativo e concluíram que empresas éticas e maduras apresentam um desempenho 160% melhor que as menos éticas.
Não tenha dúvida de que empresas melhores, formam pessoas melhores e contribuem para um mundo melhor.