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Você está no limite? Talvez seja a síndrome de Burnout

Você está no limite? Talvez seja a síndrome de Burnout

Mônica Santos
21 de junho de 2017

“Se não é por amor é pela dor”. Quem já não ouvir essa máxima? É provável que quem tem essa síndrome de nome estranho e aterrorizador –  a Síndrome de Burnout já tenha escutado. E muito.
Mas o que é isso, afinal de contas? 
Chega uma hora que o corpo cansa de mandar avisos e alertas e… faz greve geral. Simplesmente se esgota, obrigando o cidadão-inquilino-do-frágil-corpinho parar. E quando chega essa hora é que o limite já passou há muito tempo!
Estamos falando de uma síndrome que acomete cada vez mais profissionais, também chamada de síndrome do esgotamento profissional. É uma patologia que atinge profissionais excessivamente focados no trabalho e que ultrapassam o limite do corpo até chegar à exaustão física e/ou mental.
Obviamente, essa situação não acontece de uma hora para outra, sendo um processo cumulativo e que pode deixar um rastro psicopatológico na vida de quem acha que sempre dá pra fazer um pouquinho a mais pelo trabalho.
Passos para o Burnout
Tudo começa com uma insegurança que leva a uma necessidade de se afirmar ou provar ser sempre capaz. Este movimento se intensifica através de uma dedicação exacerbada com um misto de centralização e imediatismo – no fundo a pessoa quer mostrar o quanto é competente e deseja ser reconhecida por isso!
Esse desejo por reconhecimento aumenta, assim como o foco pelo trabalho e a pessoa começa a perder interesse pelas necessidades pessoais como comer, dormir, sair com os amigos, etc.
Mesmo percebendo que algo não vai bem, a pessoa com Burnout reprime os conflitos e não aceita que tem um problema. Essa repressão faz com que os sintomas físicos aumentem, na tentativa do corpo mostrar o desequilíbrio e a falta de energia e cuidado consigo mesmo.
Mesmo com foco no trabalho, o corpo e a mente não estão no seu estado saudável e a produção cai, aumentando o ciclo de sofrimento de mais esforço, mais isolamento pessoal e menos autoestima.
A identidade fica cada vez mais “meu nome é trabalho” e por mais que se negue os problemas físicos e se desvalorize os contatos sociais, a busca pelo reconhecimento faz com que a pessoa continue a exigir o que o corpo e a mente não têm mais para oferecer.
O comportamento, o estado emocional e a postura mudam muito e passam a ser muito evidente para as demais pessoas e para a própria que está doente. Aí então é dado início à sensação de vazio interior e sensação de que tudo é complicado, difícil e desgastante.
A pessoa pode acionar a depressão e sentir indiferença, desesperança e exaustão. Algumas param nesse estágio, mas outras vivenciam a síndrome do esgotamento profissional propriamente dita, e só param quando entram em estado de emergência devido a um colapso físico e mental. Aqui entra a ajuda médica e psicológica de urgência.
O que está por trás de tanto trabalho?
A pessoa prestes a desenvolver a síndrome de burnout nutre o desejo de ser a melhor e sempre demonstrar alto grau de desempenho, sendo este o seu principal combustível.
Ela mede a autoestima pela capacidade de realização e sucesso profissional e quando esse desempenho não é reconhecido, entra o sofrimento que é reprimido pela obstinação e compulsão de se afirmar competente e se sentir realizado profissionalmente.
A pessoa que está vivendo esse burnout está tão desconectada de si mesma que nem percebe que não vale a pena o preço que paga pela aceitação externa.
É um ciclo vicioso e automático de excesso de auto exigência e baixa performance, que pode provocar riscos de acidentes e problemas graves de saúde.
É importante discernir que o acúmulo de tarefas e as cobranças excessivas em si não levam ao esgotamento. No entanto, quando combinados com o perfeccionismo e foco no trabalho como fonte exclusiva de prazer, podem se transformar em uma verdadeira bomba-relógio.
Doença do trabalho em excesso 
O Burnout é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde e pelas leis brasileiras como doença ocupacional. Apesar disso, existe uma dificuldade de diagnosticar – muitas vezes ela é confundida com depressão. Os antidepressivos fornecem certo alívio nos sintomas, mas não resolvem a causa.
O tratamento implica em desacelerar e mudar de dentro para fora e isso exige um processo de longo prazo com psicoterapia, meditação e técnicas de relaxamento.
Muitas vezes olhar para fora, dedicar-se exclusivamente a um trabalho é um processo inconsciente de fuga para não olhar para dentro e conhecer a si mesmo.
É sim um desafio desacelerar e conhecer-se, mas este é o caminho para uma vida mais saudável e harmoniosa.
E você, já passou por um problema dessa categoria, sente que precisa de ajuda ou quer trabalhar a questão entre os colaboradores da sua empresa? Fale com a gente, vamos conversar.
Leia também: A armadilha do perfeccionismo: como superar o medo de errar?
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