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A expectativa é uma M&@#%

A expectativa é uma M&@#%

Mônica Santos
25 de maio de 2017

“Namoramos com o ideal e nos casamos com o real.” Assim que ouvi essa frase, logo ela se encaixou com as “verdades” que fazem sentido para mim. Não só porque lido com muitas pessoas e acredito que é comum projetar as próprias expectativas nos outros, mas também porque junto com esse movimento, muitas vezes inconsciente, vejo a pessoa entregar ao outro o poder de interferir no seu mundo interno e… sofrer, des-ne-ces-sa-ri-a-men-te.
Desde pequenos somos influenciados pelo mundo da fantasia e pela criança interna que ainda vive dentro de nós. Viver a realidade é coisa de adulto e para adulto. Mas quantas vezes, e independente da idade, cria-se um mundo infantil, cheio de ilusões e expectativas?
Não é que seja ruim ter expectativas. Todos temos. O que causa sofrimento não é ela em si, mas o sentido e valor que damos a ela. A expectativa se transforma em sofrimento quando a pessoa não se responsabiliza por ela ou depende dela para atender suas necessidades.
Mesmo sendo pessoal ou profissional, a expectativa é de cada um e quando é depositada no outro e não é correspondida, a pessoa sofre, podendo fazer o outro sofrer e até acabar com a relação. História comum e real, não é?
O que é expectativa?
Se fossemos falar de família, a expectativa seria mãe da frustração, filha da ansiedade e irmã da preocupação.
Esperar é uma ação passiva que depende de algo externo ou de alguém no tempo futuro. Geralmente, esse movimento acontece de forma silenciosa e, para aquele que tem expectativa sobre o outro, é praticamente óbvio o envio telepático da necessidade ou do desejo interno.
Se Maria espera que Pedro pare de mexer no computador assim que ela chega em casa e ele continua, é provável que ela se sinta frustada e, com isso, acione emoçōes como raiva ou tristeza, levando-a para um ciclo vicioso de lamentações e cobranças. Se, por outro lado, Pedro faz o que Maria espera, ela fica feliz e satisfeita. Percebe o poder que Maria depositou em Pedro? Seu estado emocional, assim como sua paz e harmonia dependem da reação dele! (isso porque Pedro nem tem uma bola de cristal ou manual de funcionamento de Maria). Mas o que Maria pode fazer?
Responsabilizar-se:
O primeiro e mais importante movimento é olhar para si mesmo em vez de olhar para o outro e esperar que ele descubra suas expectativas ou se responsabilize pelo atingimento delas.
Ser um adulto maduro implica em assumir a responsabilidade pela própria vida, pelo próprio estado emocional e pelas escolhas, assim como suas consequências, seja o sucesso ou o fracasso.
Dessa forma:
– Não é o outro que te magoa, é você que se sente magoado.
– Não é o outro que é folgado, é você que não põe limites
– Não é o outro que é culpado, você também é co-responsável!
Conhecer se:
Saber quais são as necessidades de sua alma e do seu corpo é essencial para construir uma vida saudável e com relacionamentos maduros.
Quando se sabe das necessidades e se responsabiliza por ela é possível ter uma comunicação clara, assertiva e habilidosa a respeito do que espera receber do outro, além da clareza se o outro tem condições e vontade de ajudar a supri-las.
No caso de Maria, ela poderia olhar para si e descobrir o que está por trás do seu incômodo de chegar em casa e ver Pedro no computador. Poderia ser uma necessidade de receber atenção, afeto ou qualquer outra coisa. Identificar e responsabilizar-se por essa falta pode levar Maria a conversar com Pedro e compartilhar essa necessidade não atendida ou carência.
É importante que Maria busque preencher esse vazio por si mesma. Dessa forma ela não fica dependente numa relação co-dependente com Pedro. Se, e somente se, for importante para ele manter uma boa conexão com Maria, e se ele quiser investir nessa relação, ele poderá lhe dar atenção (se for essa a falta), e atender a expectativa e necessidade de Maria. E se, ele não quiser ou puder, Maria tem o poder de escolher. São infinitas possibilidades, entre não estar mais com o Pedro até estar mais com ela, nutrindo sua alma ou fazendo outras coisas para preencher essa falta.
Todos nós temos necessidades e expectativas, mas de quantas delas temos consciência e responsabilidade?
A convicção de que não se tem controle de nada e de ninguém, mas somente sobre si (e olha lá!) é uma libertação. Esperar para que, se podemos fazer acontecer?
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