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Os oito pilares do clima organizacional

Os oito pilares do clima organizacional

Mônica Santos
14 de dezembro de 2017

Os benefícios de se manter um bom clima organizacional são inúmeros e inegáveis. Não é preciso ser um especialista para analisar o quanto o ambiente de trabalho influencia no talento, na produtividade e nos resultados. Mas, diferentemente do que se imagina, essa tarefa pode não ser assim tão simples.
Ao lidarmos com clima organizacional, lidamos com variáveis e diferentes pessoas, cujos valores são fundamentais para avaliar a percepção do seu ambiente de trabalho.
Uma pessoa que deseja mais do que tudo fazer carreira, vai dar mais valor a um ambiente de trabalho que incentiva o aprendizado e oferece condições de crescimento profissional.
Já uma pessoa que ambiciona relacionamento e reconhecimento, dará valor e sentir-se-á melhor em um ambiente que promova mais colaboração, encontros informais em equipe e reconhecimento. Ou seja: um clima nunca é sentido da mesma forma por todos.
Por mais que existam diversas condições e que seja preciso avaliar cada caso, singularmente, algumas variáveis se mostram comuns quando o assunto é manter um bom clima organizacional. Conheça os sete pilares decisivos para uma boa sustentação do clima organizacional.

  1. Cultura

Antes de se ter um clima saudável, a empresa precisa ter uma cultura consciente, ou seja, baseada em princípios e valores essenciais como a transparência, a colaboração, o respeito e o bem comum.
Quando não existe uma cultura com base na confiança, não existe a possibilidade de se construir relações sadias, longínquas e, tampouco, de confiança.

O resultado mais comum, neste caso, é uma cultura de medo, insegurança e ansiedade, que contamina o ambiente e gera conflitos e comportamentos tóxicos, como competição desleal e jogos de poder.  Além dos sintomas e das doenças físicas e emocionais inerentes a isso tudo.

Se a cultura da sua empresa não valoriza pessoas e não serve a vida e o bem comum, esqueça. Ela não vai contribuir para um bom clima. Se você gosta e sente que merece ser feliz e respeitado no lugar aonde passa a maior parte do seu tempo, procure por uma empresa que coloca em prática uma cultura consciente.
A cultura da empresa é alma, o dna e a sua marca no mercado. Hoje em dia, com a democratização da informação, fica fácil descobrir se a cultura de uma empresa é saudável ou não, se ela é “do bem” ou se é uma empresa psicopata.
Neste último caso, as evidências são sérias: desrespeita e humilha as pessoas, conta as horas que o funcionário vai ao banheiro, cobra sem desenvolver, não oferece ajuda,  vê as pessoas como números ou recursos, mente para o cliente, agride irreversivelmente o meio ambiente sem qualquer responsabilidade e oferece riscos de vida.

  1. Condições de trabalho

Oferecer condições e recursos de trabalho é também fundamental que as empresas proporcionem um ambiente com um bom clima para se trabalhar.
Isso não quer dizer que o espaço deva ser luxuoso ou ter um playground para recreação, mas sim que esteja em boas condições físicas e assépticas, limpo e conservado, e com todos os recursos e ferramentas necessárias para o melhor desempenho do trabalho e do colaborador.
Lógico, que o melhor seria se tivesse espaços adequados para a criatividade, concentração, conexões humanas, descontração ou momentos informais, etc. E que a arquitetura respeitasse o jeito de funcionar das pessoas.
Estudos  de neurociência já provaram o quanto estímulos externos e o espaço físico influencia o ser humano. Inclusive já existe a neuroarquitertura para adequar o externo com as necessidades internas e acionar o melhor de cada um.

  1. Criatividade

Além de condições de trabalho, é preciso também fornecer oportunidades para que o colaborador aproveite o seu tempo livre. Pode ser para o lazer, diversão, aprendizagem ou descanso, qualquer coisa que estimule e mostre criatividade e flexibilidade.
Damásio cunhou o termo “ócio criativo” e provou o quanto o ser humano precisa de espaços vazio para fazer conexões internas e acontecer aquele  clique ou o “Eureka”.
Proporcionar momentos de descontração ou descompressurização, ou seja, relaxamento e meditação com os colaboradores é sempre uma boa ideia.
Que tal aproveitar uma reunião ou um encontro para proporcionar algo diferente? Ou, quem sabe, criar uma área compartilhada, como uma sala de jogos ou de descanso, e/ou investir em encontros e eventos de integração?
Assim, além de mais unidos e engajados, os colaboradores ficarão melhores com eles mesmos.

  1. Colaboração

Para se manter um bom clima organizacional, é importante que a empresa fomente um espírito de colaboração entre os funcionários, criando uma cultura colaborativa.
Uma estrutura orgânica, uma cultura de colaboração, lideranças conscientes e  metodologias ou técnicas coletivas ajudam na prática da colaboração.
Não adianta saber da importância de se cooperar com os colegas, é importante  ajudar o companheiro a fazer uma atividade ou pensar juntos na solução para um problema. O foco precisa ser coletivo e o respeito individualizado.
Integrar e conectar as informações são fundamentais para a comunicacão interna e, consequentemente, para a integração do time.

  1. Liderança

Para que tudo funcione corretamente e em ordem dentro de uma empresa, uma liderança inspiradora, consciente e motivadora é essencial.
É importante que os diretores das organizações tenham em mente que, ser líder não é um cargo como gestor, é uma postura, uma missão. Para ocupar um cargo de gerência, não se deve escolher alguém apenas pela sua experiência ou formação, mas pelo sua autoridade moral e capacidade de lidar, desenvolver e inspirar com pessoas.
Os líderes exemplares procuram conhecer cada colaborador da sua equipe, bem como as suas necessidades; orientam todos para o bem comum, sabem lidar com os conflitos e fazem a gestão do clima: investindo, avaliando e procurando melhorias contínuas em todos os seus pilares.
Eles sabem, assim como as pesquisas, que o maior influenciador de clima, tanto para melhor quanto para pior, é a própria liderança imediata e, por isso, cuidam para serem inspiradores.
Cultura é a base de um bom clima, e as suas lideranças os exemplos multiplicadores desse jeito de ser. Caso a sua liderança não seja exemplo e a sua empresa tenha uma cultura de princípios, peça ajuda, sinalize, escale outras lideranças (respeitando os níveis de hierarquia) até conseguir ajuda.
Como consultora externa de uma grande rede varejista, fui muitas vezes acionada para ajudar nesses casos, nos quais o líder não refletia a cultura da empresa.
Sabemos que pessoas são imperfeitas, mas quando não estão dispostas a mudar, precisam mudar de empresa! Antes disso, uma empresa que dá valor às pessoas, procura ajudar e dar uma segunda chance.

  1. Investimento pessoal e crescimento profissional

Para que o clima organizacional da empresa seja o melhor possível, é preciso que todos os profissionais da organização evoluam sempre e estejam em constante aprendizado.
E para que isso aconteça, a empresa precisa investir em seus colaboradores para eles despertem a necessidade do autodesenvolvimento e auto-gestão.
Muitas vezes, programas de estudo, cursos ou treinamentos não resolvem e criam uma co-dependência com a crença de que a empresa é que deve desenvolver e educar.
Mais eficiência, portanto, é investir em  encontros de desenvolvimento para despertar um processo contínuo e interno de aprendizagem e evolução.
Estimular a melhoria contínua, a troca de experiências e a mentoria entre os colaboradores também contribui para manter o interesse e o engajamento da equipe.
Ter clara a possibilidade de se fazer carreira e de crescer profissionalmente é outro fator, extremamente motivacional para o clima e para o engajamento do colaborador com a empresa, importa dizer.
Isso leva ao comprometimento, que afeta diretamente nas relações e no clima. Afinal, como é possível ter um bom ambiente de trabalho se o seu colega é um encostado e recebe os mesmos benefícios?
Quando cada um faz o seu papel e ainda faz da melhor maneira possível, todos ganham com isso, inclusive o ambiente de trabalho!

  1. Reconhecimento

O reconhecimento também deve ser feito a partir dos princípios da meritocracia, ou seja, de se estabelecer uma política de méritos a serem alcançados por cada um.
Apesar de não ser a única preocupação dos trabalhadores, a remuneração é algo que interessa a todos. Afinal, todos têm as suas contas a pagar e obrigações a prestar ao final do mês.
Por este motivo, os colaboradores precisam ser adequadamente remunerados, de acordo com o seu mérito. Também podem ser criados planos de carreira e salários para que todos se sintam aptos a evoluir cada vez mais em suas funções.
Dinheiro e carreira são algumas formas de reconhecer, mas ampliar o repertório para algo mais imediato e emocional também contribui muito – premiações, destaques, presentes, viagens…Cada um dá o seu valor para essas opções.
É preciso, portanto, conhecer cada um, se quiser reconhecer individualmente. E conhecer a equipe como um todo, se quiser reconhecer a equipe. Assim, o reconhecimento fica mais assertivo e efetivo.
8. Propósito Superior
Agora, quer engajar o colaborador na alma? Desperte propósito.
Ter um propósito superior na sua empresa e despertar o propósito de cada colaborador alinhando para o mesmo senso de existência e significado gera orgulho, engajamento e extrema satisfação. Afinal, o reconhecimento é substituído pelo impacto positivo que seu trabalho e a sua empresa promove. Lindo não?
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