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Capitalismo consciente: a evolução x a revolução

Capitalismo consciente: a evolução x a revolução

Mônica Santos
7 de julho de 2017

É inegável que o modelo econômico e social que vivemos está em crise e rumo ao colapso. Até o modelo de maior segurança da nossa economia, como os grandes bancos, foi destruído. A base de um sistema econômico saudável depende do que menos temos hoje: confiança.
Compreensível são as tentativas de sair de um extremo e ir ao outro, como nos mostra a gangorra da tese e antítese da dialética Hegeliana que explica que tudo se desenvolve pela oposição dos contrários. Se a tese é o capitalismo tradicional, a antítese seria o socialismo. Bem, também vimos que o sistema socialista não funciona. E agora?
Todas as revoluções foram importantes movimentos sociais que se organizaram para ser o anti, o contra, e se rebelar contra o sistema-vigente-tese-em-crise. Entretanto, a maioria dessas revoluções provaram os custos altos das mudanças. (Foram poucas que usaram a não violência e provocaram profundas transformações!)
Por mais que o mundo mudou, muita coisa ainda não se transformou.  Realmente é muito mais fácil sair do 8 e ir para o 80 ou mudar de um lugar para o outro. É muito mais cômodo repetir o modelo simplista e linear disso ou aquilo.
É por isso que acredito que a crise, o sofrimento e os conflitos aparecem como sinalizadores dessa grande e urgente necessidade. O que precisa mudar é o modelo mental. Nem tese nem antítese, mas síntese. Acredito que o caminho é o melhor dos dois extremos, o complementar das diferenças, o propósito do bem comum.
Estamos na era da evolução e não da revolução! Uma era de maior consciência, visão sistêmica e co-responsabilidade pelo todo. (pouco tempo atrás poucos sabiam o que era sustentabilidade!)
No atual contexto, já existe um movimento de pessoas mais conscientes e que estão contribuindo para esse movimento de evolução.
Pessoas estão evoluindo. Hoje, muitos deixam de comprar algo quando descobrem que uma empresa feriu princípios ou prejudicou a vida humana, os animais ou o planeta.
Empresas estão evoluindo. Palavras como gestão humanizada, governança corporativa, compliance, lucro com propósito, cultura de princípios já fazem parte desse novo capítulo da humanidade.
O capitalismo também está evoluindo. O capitalismo consciente ou sustentável é uma filosofia de negócios que faz parte desse movimento de evolução.
 
Capitalismo Consciente
A sua visão do negócio e sobre o negócio é ampliada e sistêmica. Nessa nova consciência todos são stakeholders e estão envolvidos para criar e receber valor desse negócio. Afinal, todos são impactados – clientes, colaboradores, empresários, acionistas, fornecedores, comunidades e o próprio planeta!
O empresário é visto como um guerreiro responsável em servir e não como um ganancioso que só quer dinheiro. O lucro vem junto com o propósito de oferecer um produto ou um serviço que contribua para a sociedade através de uma cultura de respeito, amor e confiança.
Raj Sisoja, um dos fundadores do capitalismo consciente diz que “fomos levados a acreditar que os negócios são apenas sobre fazer dinheiro” e que “na maioria dos negócios há muito medo e muito estresse”.  Essa é a grande transformação – cultural. E começa na pessoa, na cultura pessoal. No jeito de pensar, sentir e agir. É preciso resgatar princípios, transformar crenças e quebrar paradigmas para viver uma nova economia, um novo capitalismo.
 
Capitalismo Tradicional x Capitalismo Consciente
No capitalismo tradicional cristalizou se a idéia de que uma empresa ou um negócio existe para maximizar o lucro em detrimento dos recursos humanos, materiais, sociais e ambientais. Uma relação ganha-perde, onde todos perdem no final. Por outro lado, o capitalismo consciente parte do pressuposto que:

  • a empresa precisa um propósito além do lucro – que é fazer o bem para todos;
  • todos são envolvidos no negócio e o impacto do mesmo também precisa ser consciente e integral. A relação é ganha-ganha-ganha.
  • as lideranças precisam ser conscientes e exemplos orientados por princípios e pela essência e não pelo ego e interesses pessoais;
  • a cultura precisa ser consciente e o modelo de gestão coerente – ético, respeitoso, transparente, colaborativo.

Um dos meus maiores interesses em trabalhar com empresas é a crença de que uma pessoa jurídica é um agente social de extremo poder de transformação. É lá, dentro da empresa, onde encontro vários sistemas vivos interdependentes com grande capacidade de influenciar e fortalecer uma cultura de princípios com o propósito no bem comum.
Afinal, melhores empresas ajudam a criar uma economia mais consciente e mundo melhor!



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