Se existe algo que incomoda muitas pessoas, menos aquele que o tem, é o orgulho. O orgulho é como um guarda medieval, mirrado e assustado por dentro, que se apresenta com grandes e fortes armaduras e possui uma arma numa mão e um escudo na outra.
Ele é criado pela frágil criança interna que habita em nós e é fortalecido pelo ego ou “pequeno eu” para proteger a consciência do “sofrimento”.
A emoção principal do orgulhoso é o medo e o seu objetivo é defender de qualquer ameaça, mesmo que para isso tenha que atacar uma verdade diferente da sua ou aquele que quer se entregar ou tocar seu coração.
Entregar-se para o outro, ou mostrar sentimentos ou vulnerabilidades é visto pelo ego como o máximo sinal de fraqueza – o maior inimigo do orgulho.
A vergonha, filha do orgulho, é um dos maiores impedimentos para a evolução dos relacionamentos. Não só ele a utiliza como um sinalizador de que está vulnerável, como usa uma centena de máscaras para iludir a própria pessoa e todos ao seu redor.
Para o orgulhoso, a verdade apavora tanto quanto a possibilidade de se conhecer e descobrir que o que acredita ser é um eu ideal, falso e inflado pelo ego frágil.
No fundo, o orgulhoso se sente mais ser humano que outros humanos, se sente melhor e superior às pessoas. Criar uma fortaleza para proteger essa imagem exige muita energia!
Num passe de mágica, a ilusão pode se desfazer e a pessoa orgulhosa pode cair num fosso criado pela própria arrogância. Por mais que se acredite nas mentiras, desenvolva um sofisticado mecanismo de controle e use máscaras tão realísticas, o orgulho se mostra nas próprias reações. Por exemplo, o orgulhoso tem muita dificuldade de lidar com frustração ou críticas – um simples não, um erro comentado, um simples questionamento ou uma ideia melhor que a sua é capaz de provocar um sofrimento enorme e, assim como um animal ferido, a pessoa orgulhosa fere aquele que ameaçou sua fortaleza.
Esta, por sua vez, é enorme, assim como a sua proteção, construída a muito custo. Quanto maior o forte, mais frágil, desprotegido e assustado é quem mora nele. Quanto mais rígida a armadura, mais mole o coração
Como lidar com o seu orgulho?
Por mais irônico que pareça, a chave para se libertar de toda essa prisão, ilusão e sofrimento é assumir a própria vulnerabilidade. É ela que nos conecta com nossa humanidade e com as demais pessoas. É a vulnerabilidade e a aceitação da imperfeição, do não saber, dos erros, falhas, defeitos e sombras que nos possibilita sermos autênticos em todas as nossas relações – começando consigo mesmo.
Ninguém gosta de assumir esse lado, mas quando assume se liberta e se possibilita evoluir com compaixão e empatia, dentro de uma relação horizontal.
Quando a pessoa percebe que está a serviço do orgulho e cura suas feridas emocionais, ela fortalece-se de dentro para fora, o orgulho deixa de residir e passa a ser um peso, um indicador do medo.
Ser autêntico é, dessa forma, assumir sua inteireza e humanidade, enquanto pontos fortes e frágeis. É também reconhecer que somos incompletos e interdependentes. Todo mundo tem o seu calcanhar de Aquiles. Assumir essa vulnerabilidade é se libertar do medo.
Não sei e dai? Não consigo, me ajuda. Estou precisando disso, pode me dar? Errei, e quem não erra?
Despir-se do orgulho é reconhecer a humildade e ela é fundamental nas relações. A humildade destrói as falsas fortalezas e tira todas as máscaras, o que leva a pessoa a sentir-se tão humana quanto o outro ser humano, nem melhor, nem pior, nem maior e nem menor.
O antídoto da humildade amplia a possibilidade de aprender sempre e com qualquer um. Essa abertura só é possível quando se livra das próprias certezas, verdades e convicções.
Quanto mais seguro de que se está em processo e evolução, mais capaz o líder será em ouvir, redirecionar, assumir erros, pedir perdão, reconhecer o talento e a boa ideia do outro e construir juntos.
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