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Vícios de cultura: compreendendo e combatendo hábitos nocivos no ambiente de trabalho

Vícios de cultura: compreendendo e combatendo hábitos nocivos no ambiente de trabalho

Mônica Santos
21 de fevereiro de 2017

Se entendermos cultura como o nosso jeito se ser, estar e de nos relacionarmos dentro de um grupo de pessoas que convivem, podemos perceber o quanto ela exerce uma forte influência do que nós consideramos aceito, normal e legal. O meio em que vivemos, através da sua cultura particular, ajuda a orientar nosso comportamento – influencia nossas emoções, crenças e valores e com isso, sugere sutilmente nossas escolhas.
Enquanto seres coletivos, vivemos sempre dentro de sistemas e o meio ambiente  é um sistema que engloba os demais.
Nosso primeiro sistema é o familiar, nascemos de uma relação entre dois e fazemos de tudo para pertencer e nos sentir aceitos pela família nuclear. O fato é que todos têm o seu valor e o  direito de pertencer a um grupo e esse é um dos 3 princípios básicos das relações humanas, de acordo com Bert Heringer. Por isso, ficamos condicionados ou viciados na cultura do nosso sistema anterior repetindo as mesma forma de ser, estar e se relacionar no novo sistema.
Da mesma forma que a família, quando um novo colaborador chega na nova empresa, ele também deseja fazer parte e busca fazer de tudo para ser aceito. No entanto, a realidade é que 80% das nossas escolhas e vícios são inconscientes e emocionais e muitos são condicionados pelo sistema anterior do qual que fazemos parte.
A culpa de sair no horário correto
Conheço um exemplo muito simples: Vamos imaginar que uma pessoa trabalhou durante anos em um escritório onde as pessoas faziam o seu trabalho com o comprometimento esperado e quando o relógio marcava 18h, todos se levantavam para ir embora. Quem continuava na cadeira era estimulado a sair e respeitar o horário de trabalho. Imagine que essa mesma pessoa mudou de emprego para um outro escritório,  fazia  o seu trabalho com o maior comprometimento e saia todo o dia as 18h. Acontece que ninguém se levantava as 18h e pior, as pessoas o olhavam com cara feia e durante um tempo começaram o julgá-lo como descomprometido.
Mesmo sendo o “horário correto” de saída, o novato sentia um desconforto interno e uma culpa por sair no horário. Isso acontece por ter um monitor interno chamado consciência. Quando fazemos algo contrário a ela nos sentimos culpados, pesados. A consciência é  a manifestação do instinto de pertencimento. Leve ou pesada, cada um vai se sentir de acordo com a coerência ou não dos seus atos frente a seus valores, crenças e cultura presente.
Vícios da cultura
Existem, portanto, várias culturas presentes na vida de uma pessoa: familiar, regional, social, organizacional. Até a cultura da gestão anterior ou a cultura de uma área existente dentro da empresa tem suas afinidades e diferenças entre elas.
Todas as culturas exercem um grau de influência para cada pessoa. Isso pode ser um vício quando se trata de um comportamento condicionado e destrutivo onde nenhuma advertência ou consciência pesada resolve!
Vícios culturais podem ser físicos e/ou emocionais, vir de casa e/ou do antigo trabalho. Independente do tipo ou procedência, o padrão precisa ser quebrado com profundidade e consciência e já adianto: para muitos não funcionam cobranças ou ameaças e sim uma profunda mudança de consciência e hábito.
Assim como saber que o vício de fumar faz mal à saúde e pode até matar, saber sobre as relações sutis que envolvem a cultura, o jeito de ser e se relacionar dentro de uma organização não é suficiente para eliminar um vício. Um trabalho de desenvolvimento interno e uma transformação pessoal precisa acontecer para fortalecer novas ações e novos hábitos. A nova cultura precisa ser coerente, nobre e aderente para ser permanente e com o tempo substituir a antiga. Isso é um processo que leva tempo e ação contínua e depende do contexto e particularidades de cada caso.
Imagine sua empresa como sendo um copo em cima de uma mesa (ele é grande ou pequeno?), dentro dele existe café (qual a quantidade?). Como substituir o café por leite sem levantar o copo ou a mesa? O café pode ser visto como uma cultura antiga e o leite como a nova cultura a ser implantada e sustentada. Acrescentar leite, ou seja, a nova cultura, de forma profunda e contínua dentro do copo com o café (cultura antiga) é uma possibilidade.
Quanto tempo acredita que conseguirá mudar completamente a cultura do seu copo?



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