Qual o segredo da cultura das melhores empresas para se trabalhar? Todas elas aplicam a filosofia da simplicidade. Esse princípio – tão difundido na esfera espiritual, sinônimo de sabedoria e referência para as decisões judiciais – ganhou força também no complexo mundo empresarial. Utilizando o poder desse conceito, as melhores empresas simplificaram o funcionamento das atividades e implantaram formas de realizar o trabalho de forma mais inteligente. Bernard Shaw disse: “A simplicidade é o que há de mais difícil no mundo: é o último resultado da experiência, a derradeira força do gênio”.
No entanto não podemos confundir simplicidade com simplismo. Existe uma grande diferença entre elas. E difundir na cultura organizacional a qualidade do que é simples, do que não apresenta dificuldade ou obstáculo. naturalidade, espontaneidade, elegância, caráter próprio é diferente do simplismo, que significa um vício de raciocínio que consiste em desprezar elementos necessários das soluções.
O conceito de simplicidade, ao lado de outros conceitos, como inovação, fazem do Google, Twitter, Microsoft, Apple, Adobe, LinkedIn, Facebook, e muitas outras empresas, líderes de mercado. Conseguir difundir e consolidar os valores de sua cultura não só nas mentes e no coração de seus funcionários, mas também no público em geral, tornando-se referência é mérito dessas empresas. Elas simplificaram um mundo complicado tornando-o acessível a milhares de pessoas.
Aposte na simplicidade e inovação
Outra forte característica que se observa nas melhores empresas é que elas apresentam uma grande disposição para assumir riscos e inovar. Steve Jobs afirmou: “Às vezes quando se inova, se cometem muitos erros. É melhor admiti-los rapidamente e continuar com outras inovações”.
Cada empresa irá desenvolver sua própria característica e cultura dependendo do seu ramo de atuação. O mais importante é haja o alinhamento dos funcionários em relação à estes valores da empresa e que esta esteja baseada em princípios universais como o respeito, a verdade, a transparência, a colaboração, entre outros. Essa cultura de princípios ajuda a criar um espaço de liberdade, criatividade e colaboração – para criar, errar, criticar, sugerir e buscar uma melhoria contínua.
Um exemplo brasileiro muito bem sucedido da aplicação dos conceitos de simplicidade e inovação é o Magazine Luiza, a rede de varejo que nasceu em 1957 em Franca, no interior de São Paulo e hoje possui quase 200.000 funcionários.
Luiza Helena Trajano revolucionou a forma de gestão da empresa, pois o seu sucesso se deve à sua capacidade de resolver questões práticas do negócio através da boa comunicação e da capacidade para criar sinergia. Ela semeou os valores da simplicidade e do fazer acontecer para evoluir a cultura da empresa.
No início dos anos 2000, o Magazine Luiza e o Unibanco formaram a LuizaCred, a primeira financeira que uniu um banco e uma rede de varejo. Isso gerou recursos para criar fundos que foram aplicados em expansão da rede. Hoje em dia é comum verificar esse tipo de aliança entre instituições financeiras e redes varejistas, mas estamos falando de um exemplo pioneiro.
Quando a Luiza Helena teve a idéia da maior liquidação do varejo brasileiro e a compartilhou pela primeira vez com sua tia, a então fundadora D. Luiza, um receio de não dar certo ficou no ar e foi combatido com a ousadia de fazer acontecer algo inédito: vários funcionários acordaram de madrugada para estar presente nessa ação, que foi um sucesso e se espalhou por todo o mercado.
Quando o Google resolveu criar em 2010 uma aula interna para os seus gestores, eles não pensavam em tornar isso público. Até que um que um dia, por sugestão de um dos colaboradores, eles abraçaram a filosofia do conhecimento compartilhado. Então eles resolveram mostrar para o mundo a sua fórmula: como o Google inova e também empodera seus funcionários para atingir o sucesso. O resultado pode ser conferido no livro: “How Google Works”, de Eric Schmidt e Jonathan Rosenberg. Com isso, eles mostraram que, além de inovadores, eles também ousam e desafiam as regras pré-estabelecidas do mercado.
Evite os modismos empresariais
A maior parte das empresas está tentando deixar de lado os modismos administrativos e focar naquilo que é realmente essencial ao negócio. Porém, como ressaltou Bill Jensen em seu livro “Simplicidade” (Ed. Campus), “a maioria dos líderes não está conseguindo que as pessoas foquem as coisas certas. Conseqüência: frequentemente tempo e atenção são gastos em atividades não essenciais, sem valor.”
Quanto desperdício de tempo e desgastes nas relações por conta da “burocracia” e do “status quo”! É preciso questionar processos e até mesmo a cultura de uma empresa (quando não se trata de princípios essenciais). Perguntar de forma simples, direta o por quê as coisas funcionam assim e como fazer e criar algo melhor.
Simples assim. Que tal compartilhar exemplos de simplicidade nas ações e relações da sua empresa ou equipe? Compartilhe no Facebook da Elos360.