No final da década de 1920, auge do desenvolvimento da indústria automobilística norte-americana, o Conselho Nacional de Pesquisas dos Estados Unidos (National Research Council) realizava um estudo na fábrica da Western Eletric Company, localizada em Chicago. O objetivo era compreender qual a influência da intensidade da iluminação da fábrica e o motivacional dos colaboradores. Acreditava-se que luzes mais fortes contribuíam para a melhoria das condições de trabalho e, consequentemente, da produtividade
Entre uma lâmpada e outra, no entanto, os pesquisadores logo perceberam que suas premissas estavam fadadas ao fracasso. O que aconteceu foi que o grupo de colaboradores que estava sendo estudado realmente produziu muito mais. No entanto, isso ocorreu mesmo quando a intensidade da luz estava baixa. Concluíram, então, que não era a iluminação o fator motivacional, mas, sim, a atenção dada a esses profissionais. Como não sabiam o motivo da pesquisa, acreditavam que a equipe de cientistas estava ali porque o seu trabalho era muito relevante.
Percebeu aonde queremos chegar? Sim, o motivacional é um tema bastante complexo, e não adianta se pautar em velhas premissas para elaborar as suas conclusões. A questão é que motivação é algo muito mais profundo e complexo do que podemos imaginar ou pesquisar!
Abandonando os velhos dogmas
Salários altos! Se perguntado sobre o principal fator motivacional, um gestor desatento rapidamente daria esse tipo de resposta. Acontece que tudo indica que os salários, por si sós, não garantem a motivação dos colaboradores. Quando o salário é comparado com outro fator de motivação em pesquisas, como a progressão na carreira e o bem-estar, normalmente ele acaba perdendo, e a razão é muito simples: a motivação não é apenas um jogo de matemática; há fatores emocionais envolvidos.
Uma organização que tenha um bom plano de cargos, por exemplo, motiva o colaborador, já que ele vê um futuro promissor e se sente mais desafiado no seu ambiente de trabalho – muitos funcionários públicos, inclusive, recebem salários muito maiores do que o mercado oferece, mas se sentem desmotivados por não possuírem um plano de carreira.
Por outro lado, se o perfil da empresa é mais criativo – uma empresa de design, por exemplo –, certamente a flexibilidade e o bem-estar no ambiente de trabalho influenciaram bastante no motivacional.
Os fatores que motivam uma equipe
Por mais que existam pesquisas que mostram que a motivação dos profissionais de uma empresa pode ser medida por uma série de fatores diferentes, como:
- Autorrealização: fator mais pessoal, relacionado à realização pessoal e profissional;
- Autoestima: ligado à percepção de que o trabalho realizado é realmente relevante, ou seja, você cumpre o seu papel na sociedade;
- Social: relacionado à capacidade do profissional de se relacionar com colegas e superiores;
- Segurança: relacionado principalmente com a estabilidade no cargo, a possibilidade de crescimento, a flexibilidade de horários, entre outras questões;
- Fisiológico: por fim, os fatores fisiológicos, que são as condições básicas de motivação (e aqui é que entra o salário).
Na prática, existem fatores individuais, inconscientes e sistêmicos que influenciam muito a capacidade de motivação uma pessoa ou uma equipe. Cada um é cada um! Em teoria, quanto mais explorados forem esses cinco fatores na vida de um profissional, maior será a sua motivação, e, consequentemente, mais ele produzirá. Se você pretende ter profissionais motivados em sua equipe, deve focar em todos esses fatores. Alguns deles podem ser facilmente implementados, como: os salários justos e os benefícios (fisiológico), os planos de carreira e a comunicação interna (segurança) ou o clima organizacional (social), mas não podemos parar por aí.
É preciso investir mais profundo nas pessoas da equipe! O líder que quer motivar sua equipe precisa inspirar e construir vínculos de confiança e respeito para conhecer verdadeiramente cada uma das pessoas da equipe e descobrir ou ajudar a própria pessoa descobrir qual é o motivo que a leva agir. Isso é motivação! (o motivo que leva à ação). Esse é o ponto de partida indispensável e que muitas vezes não é percebido pela liderança: antes de motivar é preciso despertar! Ainda mais nesse atual contexto onde as pessoas estão muito mais sobrevivendo do que vivendo! Por fim, os fatores de auto-estima e autorrealização são os que possuem mais peso e são os menos investidos.
Um exemplo inspirador
O Magazine Luiza, por exemplo, é uma empresa que tem uma cultura que incentiva a motivação em todos os níveis e valoriza o reconhecimento, a auto-estima e a autorrealização. Além disso e melhor que isso, promove encontros de fortalecimento interno (preventivos e interventivos) que contribuem para o autoconhecimento, o desenvolvimento pessoal, o resgate e fortalecimento dos princípios e valores essenciais e o amadurecimento das relações.
Desafios e dicas
Motivar uma equipe é um pedido comum de empresas e um desafio diário de líderes. Por mais que a motivação pode ser influenciada de fora para dentro (como uma palestra, por exemplo) é de dentro para fora que ela realmente acontece e se mantêm (como um trabalho de desenvolvimento mais profundo e contínuo, por exemplo).
O líder precisa primeiro encontrar seu propósito e sua própria motivação para depois despertar e ajudar as pessoas da sua equipe à encontrar seu motor interno e abastecer com o combustível emocional que existe dentro de cada um. Investir em coaching, psicoterapia e em trabalhos de desenvolvimento interno em grupo são excelentes dicas com resultados comprovados. Depois de despertar, o próximo passo é libertar ou romper padrões sistêmicos e é, por isso, que o líder precisa da ajuda de um profissional experiente.
E você? O que tem feito de efetivo para motivar sua equipe? Compartilhe suas experiências e nos ajude a ampliar o repertório e a motivação!