Que o mundo tem revelado sua sombra, não tenho a menor dúvida. Mesmo as pessoas de poder que direcionam o caminho da nossa sociedade estão sendo punidas! Banqueiro preso, políticos presos, ex-presidentes quase lá, grandes empresas desmascaradas e notícias de corrupção espalhadas mais do que poeiras ao vento! Triste, mas no fundo, confortante! Dê um leve sorriso quem se alegra quando a justiça se faz cega para aqueles que tem “poder” e os pune “como se fossem” cidadãos comuns. A verdade é, que pela visão sistêmica, somos todos seres de um mesmo sistema que segue os mesmos princípios essenciais. (e quando não os respeitamos, todos pagamos o preço!).
O que acontece?
O modelo mental sistêmico revela nossa interdependência e co-responsabilidade pela cultura que construímos. Quando as pessoas estão alinhadas com uma bússola moral e agem de acordo com princípios, elas agem no seu melhor e todos ganham. Entretanto, ficam imunes ao conformismo anestesiante daquilo que é normal para a sociedade. Para mim, chamar alguém de normal chega a ser doentio e ofensivo, infelizmente! Ficou normal ver líderes, escolhidos para representar o povo (e que deveriam ser exemplos e servir a um bem comum), envolvidos em escândalos morais e presos por corrupção.
A crise e o caos que vivemos revela o que o filósofo Edgar Morin já dizia anos atrás: “já passou o tempo de se revisar a kilometragem da sociedade”. Estamos atrasados… a tecnologia avançou enorme e rapidamente, enquanto a humanidade engatinhava e caía devido a sua fraqueza moral!
Espírito Santo
Li hoje um texto de Sérgio Oliveira, um teólogo e psicólogo, que escreveu sobre a situação em Espírito Santo. Uma outra realidade assustadora, dessa vez, daqueles que são a maioria e estão na base da pirâmide social (por isso, com um outro tipo de poder – de validar ou transformar uma cultura.)
Vamos imaginar que o topo está a liderança estratégica, no meio a liderança tática e na base a equipe. A greve da polícia federal, no Espírito Santo, seria a greve das lideranças táticas, ou chefias que tem como foco manter a ordem, o controle e as regras estabelecidas. De acordo com Sérgio, quando a policia saiu de cena, o que se viu foram cidadãos comuns realizando saques em lojas e supermercados. (sabe aquela cena quando o gerente sai de cena?).
Isso revelou não só o caos ético e moral que se encontra o nosso país, mas a sombra da nossa própria cultura social. “Quando a polícia se torna a regra de conduta das pessoas, o instrumento de controle que as impede de cometer crimes percebe-se a falta de consciência ética e moral. Retirada a polícia vem à tona o desejo latente de um povo corrupto. Idiotice pensar que só políticos são desonestos, tendo oportunidade, muitos se tornam criminosos”. A conclusão de Sérgio foi a seguinte: “Se precisamos de polícia para sermos honestos, somos uma sociedade de bandidos soltos!”
A sombra
A sombra nos mostra que temos dentro o que julgamos fora. A corrupção, a mentira e a maldade fazem parte da sombra, mas não é a maioria. Não somos todos bandidos.(esses são os que mais aparecem na mídia!). Assim como não foi a maioria da população do estado do Espírito Santo que roubou e promoveu o caos!
Atos sombrios são acionados por uma mente que é acionada pela sombra, mas às vezes ela também é acionada pela luz. Escolher agir pela nossa luz ou pela nossa sombra é o maior poder transformador que temos (e é individual, por mais influenciada que seja pelo coletivo). Um caminho luminoso para lidar com as sombras escondidas pelas nossas defesas inconscientes é investir no mundo interno e fortalecer os princípios e a bússola moral que cada um carrega em seu sistema. (muitas estão desorientadas por gerações!)
A luz
Quando se amplia a consciência e começa se a enxergar de forma sistêmica, a luz se expande e a mente passa se orientar pela essência e não pelo ego. Em outras palavras, vê-se parte de um todo, e, por isso, busca-se o bem comum e não os interesses individuais.
Educação, cultura, desenvolvimento pessoal, relações éticas e colaborativas e compassivas, espiritualidade (não religiosidade) e sustentabilidade são essenciais para se um criar um novo modelo mental, uma nova cultura e um futuro diferente do que estávamos assistindo (muitas vezes, passivamente pelos canais da mídia e redes sociais)
A verdade inconveniente é que “não são eles”, “o problema não está lá fora” ou “isso não tem nada a ver comigo”. Todo o caos, crise ou sofrimento nos revela a ignorância do modelo mental social e a anorexia espiritual (uma vez, que somos apenas inquilinos desse corpo, vivendo uma rápida experiência humana). Quando faço mal a alguém, também faço mal a mim mesmo! O mundo precisa de uma grande revisão ou resgate, precisa de amor! As bases que constroem a sociedade estão ruindo e revelando nossos vazios e nossas sombras.
Em outras palavras, é preciso transformar o mundo interno, resgatar e fortalecer princípios e valores essenciais para se construir novos sistemas. A mudança de cultura, seja social, empresarial e familiar é o antídoto para o vírus moral que assola a humanidade. Os alarmes já não soam urgentes, assim como as notícias que recebemos não são mais alarmantes. Essa é a pior doença, de acordo com Roberto Crema, a normose. Recebemos diariamente uma alta dose de informações que banalizam a realidade. O inconveniente é que a necessidade de transformação é urgente, assim como um movimento 360 para uma grande evolução. (já que as revoluções passadas nos mostram tão eficazes!)
Por onde começar? De dentro para fora e depois em cada relação e sistema dos quais fazemos parte. Esqueçam a bandeira de mudar o mundo, costurem a ideia do eu e eles, integrem os diferentes! A mudança começa aqui dentro, começa agora, começa comigo e com você, juntos!