É só conseguir parar um pouco o turbilhão do dia-a-dia e os ruídos da própria mente para conseguir enxergar e escutar o que está acontecendo no mundo interno.
Sei que não é tão simples assim, mas é o primeiro e importante passo para sair do automático e enxergar os sintomas que nos revelam a crise moral, emocional, espiritual que estamos vivendo enquanto humanidade. Não precisa de muito esforço para perceber que a maioria das pessoas estão repetindo destinos de sofrimentos. Não precisa de muito esforço para perceber que infelizmente é normal – não só o sofrimento, mas a falta de integridade e de respeito nas relações interpessoais.
A impressão que tenho é que muitos perderam a bússola interna dos princípios essenciais que norteiam as escolhas e as posturas que constroem relações saudáveis e harmoniosas. Pessoas mentem com naturalidade da mesma forma que ferem e prejudicam os outros. O próprio discurso como: ” é assim mesmo”, “antes ele do que eu” , ” cada um para si” ” não tem outro jeito” ilustram essa triste e normal realidade decorrente de um analfabetismo emocional, uma imaturidade relacional e uma anorexia espiritual.
Exagero? Basta olhar os sintomas para descobrirmos as causas – necessidades essenciais da nossa alma que não estão sendo atendidas. A raiva, a tristeza, os conflitos, o medo, a insegurança, e a ansiedade são apenas alguns despertadores emocionais que acionam outros despertadores mais profundos e doídos como a insônia, a compulsão (desejo excessivo e inconsciente de alguma coisa – sexo, comida, compras, trabalho, doce), a dor de cabeça entre outros sintomas físicos e doenças.
É normal não ser íntegro?
Não ser íntegro, pode até ser normal, (infelizmente), pode até trazer riquezas ou conquistas mais rápidas, mas provoca sofrimentos e cobra um preço caro que se não é pago na hora, é cobrado com juros. Não digo apenas peso na consciência ou noites mal dormidas. A pessoa que deve, teme – consciente ou não, digo que, inconscientemente, a pessoa cria, atrai e cai nas próprias armadilhas criadas pela mente. Desde sintomas físicos, emocionais, até perdas físicas e relacionais. Perder a credibilidade é pior do que perder dinheiro. Não ter crédito, é não ser confiável e ter prejudicada alguém é ser devedor.
A justiça sistêmica é implacável, o que se planta, colhe… e se não for pela própria pessoa que causou prejuízo a alguém ou feriu algum princípio essencial, as próximas gerações se encarregam de pagar esse preço. Ninguém sai imune a falta de integridade. Não só quem age sem integridade constrói seu castelo na areia como cava sua própria sepultura – enterrando com ela sua imagem, seu caráter, a credibilidade de suas relações, seu legado inspirador, entre aquilo que tem se reconhecido como valor.
O fato é que o distanciamento dos princípios essenciais da nossa alma são decorrentes da desconexão que estamos vião sente empatia e vive sob uma frieza emocional. Quando esta é explicada biologicamente, o diagnóstico é de psicopatia ou sociopatia. Não é o caso da maior parcela da população.
Qual é a saída?
A saída está na conexão, na percepção e reconhecimento que fazemos parte de um todo. Que somos da mesma tribo e que nossa convivência harmoniosa depende da busca do bem comum. Esta, por sua vez, é a fonte da ética, da integridade e da compaixão. Elementos essenciais para viver em comum-unidade.
Somente as relações baseadas no respeito, no amor, na verdade, no equilíbrio e na busca do bem comum é que podem atender as necessidades profundas de pertencimento, de afeto, de atenção, de cuidado, de conexão. Quando se é íntegro, se é livre. Essa liberdade permite direcionar as energias para o fortalecimento e construção (e não para a proteção e defesas). Quando a pessoa é íntegra ela cultiva uma autoimagem e uma autoestima positiva, elevada e que contribui para o sistema imunológico e saúde integral.
Ser integro nao é obrigação, assim como integridade não é regra. É um princípio natural que está dentro e precisa ser despertado, criado e fortalecido dentro da pessoa, no início do seu processo de formação e desenvolvimento de caráter e identidade. É portanto uma questão sistêmica – que está relacionado aos modelos familiares e aos padrões aprendidos.
Dessa forma, não adianta apontar para longe ou para cima. Não adianta culpar os governantes e olhar para as grandes corrupções. A integridade está em casa, nas famílias, nas pequenas ações, na educação de base. O que é uma empresa, organização ou governo do que várias famílias juntas. Afinal, somos uma família chamada humanidade que precisa urgente resgatar o relacionamento mais importante que existe – com seu Pai-Criador.