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Chefes: Nem medrosos nem carrascos

Chefes: Nem medrosos nem carrascos

Mônica Santos
4 de agosto de 2014

Por que é tão difícil uma pessoa assumir o seu papel de líder e ser um verdadeiro exemplo multiplicador?  Por que existem muito mais chefes do que líderes?
A psicologia e a sistêmica organizacional pode ajudar a entender que por trás do chefe medroso e do chefe carrasco existem condicionamentos do meio, feridas emocionais, crenças aprendidas por experiências e modelos anteriores, valores distorcidos, enfim, inúmeras causas ou camadas anteriores ao comportamento passivo ou agressivo.
A partir de um maior aprofundamento e de uma maior consciência, a indignação, a revolta ou a ira contra a incompetência profissional de grande parte dos chefes dá espaço a compreensão e a responsabilidade dos líderes que estão acima dessa pirâmide.
O chefe medroso não consegue usar sua autoridade, não reconhece sua força interior – sua agressividade. Simplesmente não dá conta de se impor quando precisa, de falar o que deve, de colocar limites, dar feedbacks verdadeiros. A necessidade de ser aceito e querido é maior do que a responsabilidade que lhe foi entregue.  O medo de ser confrontado ou rejeitado  exerce um poderoso freio interno para qualquer ação ou decisão que precise fazer enquanto líder.
O chefe carrasco também não consegue usar sua autoridade e não reconhece a força da sua sensibilidade. Simplesmente não dá conta de se colocar no lugar no outro, de falar horizontalmente – olho no olho , de ouvir sobre as emoções e necessidades do outro, de dar atenção e cuidado quando o outro precisa. O medo de não saber como lidar com as próprias emoções o faz construir um pedestral para relacionar-se com as pessoas de forma vertical – de cima para baixo, distante, impessoal. Dessa forma, fica mais fácil usar o poder para mandar e fazer acontecer à qualquer custo. A necessidade pelo poder é mais forte e o impede de ter empatia ou estabelecer vínculo. Se olharmos para o passado do carrasco descobriremos uma vítima profundamente ferida e disposta a se proteger de todas as formas.
Você acha que temos o direito de julgar ou simplesmente cobrar uma rápida mudança de comportamento? Não. De acordo com Einstein, “nenhum problema será resolvido com o mesmo nível de consciência de que foi gerado.”
É muito mais fácil o verdadeiro líder ajudar aqueles que ainda não se desenvolveram. Seja pelo exemplo, uma vez que o líder é aquele completo, que tem agressividade e sensibilidade, aquele que se reconhece humano e enxerga a humanidade do outro, aquele que assume a responsabilidade e usa sua autoridade pelo exemplo e pelo propósito de servir. Enfim, seja pelo feedback ou pelas oportunidades de desenvolvimento.
Um encontro profundo precisa acontecer para encontrar o equilíbrio e o próprio caminho. Muitas vezes, os líderes precisam de ajuda para ajudar os “ainda- chefes” a ser, saber e fazer acontecer de forma equilibrada e global. Uma grande oportunidade de desenvolvimento é promover o autoconhecimento, encontrar o caminho do meio, a primeiro se encontrar, se conhecer , se transformar para depois assumir essa missão tão sublime que é, levar o outro mais longe do que ele chegaria sozinho.Sob o ponto de vista sistêmico relacional ninguém está sozinho, inconscientemente essa pessoa segue seus primeiros e principais líderes e com isso freios ou aceleradores são herdados.
Da mesma forma que os colaboradores precisam de líderes que o façam ir além deles mesmos, incluindo todas as suas gerações anteriores, os líderes em potencial também se beneficiariam com essa ajuda mais profunda. Afinal, além dos modelos anteriores de chefes ou líderes, eles seguem, muitas vezes inconscientemente , seus primeiros e principais líderes – seus pais – e também herdam freios ou aceleradores internos que precisam ser revistos ou devolvidos com respeito e gratidão.
Muitos dos medos de fazer diferente ou quebrar um padrão anterior é o freio que o induz a repetir modelos passados e repetir a inabilidade ou o jeito de lidar com as pessoas –  passividade ou agressividade.
Por lealdade sistêmica inconsciente “vivemos como os nossos pais” e precisamos de muita coragem para romper padrões e deixar de seguir os líderes que nos deram a vida, ou aqueles que nos deram uma oportunidade profissional – sejam pais, chefes ou lideres anteriores, é preciso encontrar o nosso próprio caminho e estilo de viver e liderar.
Você consegue olhar para trás e ver todas essas influências? Quem mais te influencia? Essa influência é construtiva ou destrutiva?
Você consegue olhar para dentro e ver quais freios  o impedem de ser um líder exemplo? O que você pode fazer agora com relação a cada uma desses limitadores? Você consegue olhar para dentro e ver quais aceleradores o ajudam a ser um líder exemplo? Tem colocado os em prática diariamente?
Você consegue olhar para frente e ver aonde quer chegar enquanto líder? Você tem tudo o que precisa para chegar lá? Então, faça, aja, transforme sua intenção em ação –  diária e constante.
monica silvestre



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