O poder do medo

8 de julho de 2020

A crença aprendida em contextos passados é a de que o medo serve para ampliar horizontes e elevar o desempenho das pessoas e organizações. 

Empresas tradicionais e chefes autocráticos baseiam se nesta “verdade” e na crença de a vida é uma selva, uma guerra ou uma luta. É comum, inclusive, ouvir que o trabalho é matar um leão por dia.

Dentro da narrativa deste contexto ter medo o ajuda a se manter vivo. Medo, dentro desta perspectiva e visão de mundo é legítimo.

O único e importante detalhe é que a vida não é uma selva e você não precisa ficar com medo o tempo todo para ficar atento e sobreviver! Logo, por mais legítimo que seja o medo e sua capacidade de provocar desgastes e estragos, o fato é que não é uma realidade objetiva. 

Quem cria este modelo mental e faz com que você viva esta programação de medo dentro do seu próprio avatar e jogo na selva é a sua mente.

A mente cria realidade subjetivas a partir das suas crenças que criam filtros, tradutores e lentes dos estímulos externos. 

Acontece que este paradigma é herança de crenças passadas que ainda permanecem presentes com um forte poder de se perpetuar e criar o futuro. 

Sabe aquela história do navio japonês que colocava um tubarãozinho no meio dos cardumes de peixes para que chegassem mais vivos e frescos no porto e, portanto, serem vendidos com maior valor? 

Ou aquela mesma fórmula do “the secret” que pede para listar o que não quer (o que tem medo que aconteça) para depois identificar o que quer e focar sua atenção no que quer atrair? 

Ou a estratégia através da visão apocalíptica do futuro de que ele vai “dar ruim” se não fizer o que dizem? 

Então, o medo sempre fez parte da história da humanidade e ainda é usado como uma estratégia de sobrevivência e de desenvolvimento, pelo menos é o que acredita a maioria das pessoas.

A descoberta

Neurocientistas, por sua vez, já provaram que o medo aciona áreas do cérebro relacionadas ao instinto de sobreviver e que quando acionado, bloqueia a área relacionada a criatividade e ao desenvolvimento. 

O medo, desta forma, aciona seu comportamento de luta e fuga, e muitas vezes, aciona o seu automático, bloqueia uma comunicação autêntica e empática, desconecta de sua essência e de outras pessoas. Ele estimula jogos de poder, comportamentos disfuncionais e anti-éticos.

Em resumo: o medo só é bom quando é uma questão de vida ou morte, caso contrário, ele é o maior freio de mão do potencial humano. Simples assim. 

Por outro lado, todos temos medo, mesmo que 80% deles sejam criados pela mente que mente. Todos eles estão a serviço de algo oculto, seriam mensageiros de necessidades não atendidas, crenças inconscientes ou campos de dor não tratados.

O medo, enquanto emoção, tem o poder de revelar informações que estão no subterrâneo da mente. E quando você tem a coragem de enfrentar e trazer luz para este ponto de sombra, você é capaz de aproveitar uma grande oportunidade de se conhecer, curar e se resignificar. 

Afinal, quem se alimenta do medo é o ego. E é ele que cria histórias e se nutre dos ressentimentos do passado e das preocupações do futuro.

Em resumo, podemos dizer que o poder do medo pode ser destruidor, salvador ou revelador. Vai depender da inteligência emocional de cada pessoa.

Usar o medo ao seu favor implica ter consciência do medo e escolher como utilizar esta energia emocional à serviço da sua essência, da sua vida.

Identificar o medo e verificar a sua veracidade e propósito é uma habilidade que pode ser desenvolvida. Você só precisa estar aberto, ter vontade e coragem de olhar para dentro, para o profundo do seu ser e para o oculto do seu sistema.

Saber lidar com o medo é vantajoso na vida pessoal e profissional, tem benefícios na família e na empresa.

Quer saber mais sobre a sombra do medo e entender porque ele é tão presente no meio corporativo? 

Fiz um resumo do livro alquimia do medo – como acabar com o transe corporativo e criar um futuro de sucesso para sua empresa escrito por Kay Gilley  e pode baixá-lo aqui. 

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