A longa trajetória até as organizações orgânicas - Elos 360
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7 de julho de 2020 monica santos

A longa trajetória até as organizações orgânicas

A história da humanidade apresenta várias eras marcadas por seus contextos, necessidades e visão de mundo (paradigma).

De acordo com Ken Wilber e Frederic Lelux estamos vivendo uma crise de percepções sob a visão de diferentes paradigmas.

Dentro da perspectiva sistêmica, toda a crise, sofrimento, conflito ou prejuízos são apenas indicadores de que o modelo mental operante não mais atende as necessidades do contexto atual.

Olhar para esta longa trajetória do passado ajuda a compreender sobre as organizações orgânicas, ou aquelas que estão operando sob um novo paradigma e causando disrupção em todo o sistema coletivo.

A minoria crescente que tem conseguido enxergar a realidade de forma mais ampliada escolheu fazer um update no sistema operacional mental tradicional e operar dentro de um novo paradigma e mentalidade, que por sua vez, permite construir uma nova estrutura e gestão, em outras palavras: organizações sob nova consciência. 

As Organizações Orgânicas, assim como outros movimentos como a Sociacria, a Holacracia, a Gestão Colaborativa Dragon Dreaming, os Movimentos Ágeis como Scrum e outras Tecnologias Sociais são exemplos de pessoas e empresas que operam sob nova consciência e, portanto: sob nova mentalidade, estrutura e gestão.

Um pouco de história: a trajetória do passado

Conhecer o passado ajuda aprender sobre a realidade presente. Assim como aprender com o passado ajuda a criar um futuro diferente e um presente com mais abertura e consciência.

O processo de aprendizagem e evolução implica ampliar o olhar para se enxergar o todo e compreender que dentre os diversos paradigmas presentes, o modelo mental que mais impera na cultura social e das organizações ainda é o do século XVIII: a era do Iluminismo e da Revolução industrial.

Dentro da perspectiva sistêmica, quando não se conhece a própria história, o ser humano tende a repeti-la.

A mentalidade tradicional e operante hoje surgiu em oposição à era medieval conhecida como a era das trevas e suas barbáries, sua imposição aos dogmas religiosos e sua enorme repressão à ciência. 

A estratégia, em sua essência, surgiu das necessidades de guerra, de conquista e ocupação das terras, da busca pelo poder e status e da manipulação da massa que precisava ser obediente para sobreviver.  

Imagina o nível de sofrimento das pessoas daquela época!

Ao final, por conta de tantos excessos e faltas, a tensão já tinha ultrapassado o seu limite e o rompimento com a Igreja e os impérios dominantes aconteceu como consequência de vários movimentos tensores de mudança.

Neste terreno fértil de insatisfações, incompreensões e necessidades não atendidas, filósofos e pensadores ativistas, como René Descartes, criaram uma visão de mundo separatista, racional e individualista. Por isso, também conhecida como visão cartesiana.

As maiores premissas ou drives mentais deste modelo ou paradigma são a visão: separatista, racional e individualista. Que por sua vez, criou uma visão de mundo mecaniscista.

Vale ressaltar que, naquele contexto e naquela época, a separação foi importante, assim como o valor pelo indivíduo e a racionalidade da ciência. Muitas mudanças e criações importantes aconteceram.

Os valores que nortearam a cultura da época foram os catalizadores para saltar da era medieval para uma outra era que precisava descobrir muitas coisas e ter a liberdade de questionar o que antes era dogma religioso. 

Separatista-racionalista:

O mundo, a vida e o todo foram fragmentados em partes para melhor análise,  compreensão e controle.

A razão foi separada da emoção,  o pensamento era linear, objetivo, pragmático e simplista. “Penso, logo existo”. Uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa”

A essência divina e suas questões espirituais foram renegadas, assim como a religião foi separada da ciência, que por sua vez, considerava real e valoroso somente o que era medido, testado e comprovado.

O individuo e tudo ao seu redor era visto como máquinas com peças e engrenagem dentro de um sistema simples, fechado e controlado.

O mundo materialista substituiu a visão do mundo espiritual e o ser humano foi coroado rei do mundo no topo da cadeia alimentar.

Individualismo- Ego:

A estrutura social triangular e hierárquica apenas ficou diferente, ou seja, a estrutura vertical de topo (minoria)  e base (maioria) continuou a mesma. E continua até hoje na sua maioria!

O individuo passou a ser mais importante do que o coletivo e como apenas uma minoria poderia ocupar este lugar de destaque, novos valores surgiram como o individualismo e a competição que somaram com os valores anteriores como o status e o poder sobre o outro.

O eu, o meu e “mais o melhor do que o outro” passou a ser reconhecido como valor e diferenciação

O ego, ou o falso eu, antes condenado e reprimido no contexto anterior, saiu livremente do seu papel de gerente do mundo interno e tomou o poder e o controle da essência ou do verdadeiro eu (self).

Uma das maiores funções do ego é trazer ordem ao caos e segurança para o mundo interno.  Sua dinâmica interna enxerga o mundo escasso e separado e seu maior foco é atender exclusivamente suas necessidades, mesmo que seja em detrimento de outros.

Sob esta direção a mente passa a reprimir o que não é aceito pelo mundo externo, fingir ser o que não é, exercer poder sobre os outros, ou seja, fazer de tudo para se manter na zona de conforto recheada de ilusões e protegidas por suas convicções. 

Paradigma anterior

Esta visão de mundo ou modelo mental  criou uma cultura para atender as necessidades daquele contexto específico cujas necessidades eram de liberdade de pensamento, pesquisa científica, assim como quantidade e diversidade, ou seja,  criação de novos produtos, produção em massa etc.

A gestão por comando, controle e poder centralizado continuou operando. Assim como a estratégia de guerra e conquista, ou seja, eu e eles, nós e o inimigo, o que leva ao ganha-perde.

A informação e o conhecimento era restrito, pesado e de difícil acesso. Quem os tinham tinham poder. Hoje temos quase toda a informação nas mãos. Antes era necessário decorar, hoje precisamos reaprender a aprender.

Precisamos desaprender, resignificar, fazer diferente.

Presente, novo contexto e novas necessidades

Acontece que o contexto atual se mostra muito diferente das épocas anteriores, as pessoas sofrem muito mais pelo excesso e desequilibrio do todo do que pela falta de suas partes. Hoje morre se muito mais de obesidade, depressão e stress do que de fome, guerra e peste (mesmo com o Covid-16).

Ao contrário da falta de conhecimento e higiene do passado, a pandemia que enfrentamos hoje é produto das escolhas que os seres humanos fizeram e estão fazendo.

Além de tanto excesso e diversidade, o advento da tecnologia e a internet trouxe ao mundo uma complexidade, velocidade, volaticidade e incerteza jamais vista. 

Com a globalização, a ampliação de diferentes perspectivas e a quebra de muros e paredes, o ser humano passou a sentir novas necessidades, além do ego, e, assim, passou a enxergar sob uma nova consciência e visão sistêmica da vida, incluindo toda a sua complexidade, incerteza e relatividade.

Todo este novo contexto foi reforçado pelas descobertas das novas ciências biológicas, físicas e humanas, como a epistegenégica, a física quântica, a neurociência e a psicologia transpessoal e do desenvolvimento, por exemplo.

Desta forma, foi percebido que não basta atender as necessidades do ego e da matéria, mas encontrar realização e significado em um propósito maior a partir da transformação pessoal e das relações mais íntegras, colaborativas e saudáveis. Novas necessidades foram criadas na nova era.

Caractarísticas orgânicas e princípios sistêmicos

Vivemos hoje uma nova era:  a era das conexões e redes sistêmicas.

A vida, o mundo e o todo passou a ser visto a partir de uma visão mais integrada, ampliada, profunda, interdependente e sistêmica.

Todo ser vivo, seja ele individual ou coletivo, é um sistema aberto, complexo e interdependente que possui características próprias, como: auto-produção, auto-organização-gestão e auto-regeneração-modificação

Além disso, todos eles seguem os mesmos princípios sistêmicos como a pertinência, a ordem e o equilíbrio.

Enquanto membros de um sistema coletivo, todos tem o direito de pertencer, assim como se é importante respeitar a ordem e o lugar de cada um e buscar o equilíbrio entre o dar e receber. A vida é fluxo e respeitar estes princípios sistêmicos evite a criação de tensões ou emaranhamentos.

Uma destas características dos sistemas orgânicos é que as tensões fazem parte da sua existência e do seu processo de desenvolvimento.

Tensão, neste caso, não é só um problema, mas uma oportunidade,  um desafio ou qualquer outra possibilidade que pode ser imprevisível, assim como poder ser provocada por uma causa interna ou externa.

Mais claramente, a tensão pode ser entendida como a diferença ou o espaço entre o desejável e o percebido, seja de um membro ou de um coletivo. Imagine um elástico entre o que é e o que “deveria” ser (sob a perspectiva do agente observador).

Dentro da perspectiva sistêmica, a tensão também pode ser entendida como um desconforto por uma necessidade não atendida ou um princípio sistêmico desrespeitado.

Seria como uma espécie de indicador para incluir algo a mais, reorganizar, excluir o que não mais faz sentido ou revelar algum desequilíbrio no fluxo entre o dar e o receber do ecossistema.

Enfim, tensão é a mensagem que o sistema dá para convidar seus membros para novas possibilidades: uma ampliação de perspectiva, uma transformação, uma nova ação, etc.

Antigamente, o maior valor para atender as necessidades passadas de solidez, robustez e grandeza era ser resiliente, ou seja, aguentar a tensão ou pressão e conseguir voltar ao estado anterior.

Hoje, entretanto, com as novas necessidades de velocidade, flexibilidade, dinamismo, integralidade, o valor maior é para a anti-fragilidade, ou seja, ser capaz de enfrentar a tensão e a pressão e crescer e evoluir com ela. O novo lema é mudança e inovação.

Olhar para o erro, para o conflito e para a tensão com um novo olhar é fundamental para o novo paradigma e mentalidade sistêmica.

O novo olhar integrado

Dentro da perspectiva sistêmica, cada membro de um sistema vivo coletivo, apesar de ser interdependente, é um ser inteiro, autônomo e traz a memória do campo do seu sistema coletivo, sendo a família o coletivo de maior influência na construção de seu modelo mental, seus filtros, sabotadores internos e mecanismos de defesa.

Desta forma, cada membro tem uma visão limitada do todo, ou seja, sua percepção pode ser distorcida ou traduzida pela sua mente a partir da do seu modelo mental e do seu ponto de vista.

Como o sistema vivo tem filtros mentais, assim como pontos cegos e diferentes tipos de mentalidade, é imprescindível para o sistema que seus membros tenham uma visão 360 e uma mentalidade sistêmica que permita enxergar sob várias perspectivas.

Desta forma, é possível ampliar o olhar e tomar a melhor decisão para a saúde do sistema coletivo.

Cada um é um membro, agente importante e sensor da organização.

Partindo da premissa da complexidade, em que o todo é maior do que a soma de suas partes e que o micro contém o macro, cada pessoa representa, por sua vez, uma célula que funciona como um biocomputador capaz de influenciar e co-criar o sistema como um todo.

Desta forma, a tensão revelada por uma pessoa e tratada no coletivo pode aumentar a inteligência do sistema geral. Imagine um campo coletivo onde cada pessoa é um sensor e membro do todo.

Partindo desta premissa, todas as tensões são válidas. Muitas vezes, uma pessoa percebe ou é o porta voz do coletivo. 

O foco, entretanto, precisa ser para resolver a tensão, seja ela qual for. É por isso que é tão importante, explorar a tensão e esclarecer o que é tensão ou estratégia.

Sendo assim, cada pessoa tem o direito, ou melhor, a responsabilidade de trazer a tensão para o coletivo e tratar a tensão, seja sozinho ou em grupo, seja sua causa ou impacto individual ou sistêmica. 

Desafios para o novo

Entretanto, quando seus membros não são maduros o suficiente para serem autênticos e empáticos ou quando o sistema coletivo não oferece um espaço seguro para expressão as tensões e tratá-las de forma madura e ampliada, a mente joga estas tensões para a sombra e o sistema cria subterrâneos para esconder e reprimir estes desconfortos, que são retro-alimentados pelo medo dentro de um circuito autodestrutivo que drena a energia criativa e intoxica o campo relacional. 

Por outro lado, mesmo que seus membros sejam maduros e o campo relacional do sistema esteja em harmonia, ele pode ser constantemente desequilibrado pelo campo estrutural que não contribui para o fluxo sistêmico.

Em outras palavras, a estrutura tradicional triangular e hierárquica da organização e sua gestão de comando, controle e centralização continuará incitar tensões como forma de mostrar que este modelo mecanicista não mais atende as necessidades do presente e muito respeita a integralidade do ser e seu fluxo sistêmico e interdependente dos demais sistemas vivos.

Digo mais, o que as tensões e o sofrimento das pessoas, das organizações da sociedade e do planeta tem revelado é que este paradigma tem sido um dos maiores causadores de dores e prejuízos incalculáveis. 

Em outras palavras, o campo estrutural do sistema coletivo social e organizacional em que a maioria das pessoas e empresas tem operado e sua dinâmica de funcionamento rígida, fechada, separatista e lenta é uma das causas de insalubridade da vida, seja ela das pessoas, dos animais, das organizações ou do próprio planeta.

Desta forma, além da mentalidade limitada, este tipo de estrutura e gestão também é uma outra causa de tantos sintomas e doenças que temos vistos.

Novos caminhos, novos paradigmas, novas organizações

O desafio é mudar a mentalidade, assim como o campo relacional e estrutural das organizações e transformá-las em sistemas orgânicos, ou seja, abertos e responsivos ao externo, ao mesmo tempo adaptáveis e em constante movimento, mudança e aprendizagem. (Isso acontece por uma dinâmica de associação e desenvolvimento para atender às novas necessidades do momento). 

Esta tem sido a inovação das startups e o convite para se resgatar a essência e a integralidade perdida.  

Dentro desta perspectiva e mentalidade sistêmica, o trabalho de mentoria existe para que as organizações possam se transformar de máquinas simples à sistemas orgânicos.

E, para isso acontecer, são necessárias condições mínimas para se começar: vontade e envolvimento dos fundadores e líderes estratégicos; 

• ambiente psicológico e emocional seguro; 

• acordos alinhados e 

• a co-construção do novo. 

Afinal, somos todos um, tudo é orgânico e não existem receitas e nem garantia de nada. Estamos aprendendo juntos, assim como se ajustando e evoluindo enquanto um sistema vivo coletivo.

Uma coisa é certa, quando se respeita aquilo que é e age de acordo com suas características e princípios, as chances de dar certo são muito maiores.

Quer dar um salto para o novo? Entre em contato comigo através da Elos360. Vamos junto criar a nossa melhor história! 

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