O que é ser antifrágil e como não cair nas armadilhas rumo a anti-fragilidade - Elos 360
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15 de junho de 2020 monica santos

O que é ser antifrágil e como não cair nas armadilhas rumo a anti-fragilidade

Músculos do corpo humano são antifrágeis, ou seja, quando você os expõe a uma quantidade regulada de stress proporcionado por pesos ou aparelhos ginásticos, eles crescem.

Taleb, o autor e pesquisador sobre anti-fragilidade, associa à desordem com agentes estressores no nosso corpo, responsáveis por nos fazermos progredir.

O desgaste muscular faz o músculo evoluir, mas se você forçar demais, ele se danifica. Como saber este limite? Como não cair nas armadilhas ruma a anti-fragilidade?

Imagine um atleta e um personal trainer, cada um tem um papel diferente, mas ambos querem o mesmo objetivo: o fortalecimento e a melhor performance.  

Mas como conseguir este propósito comum sem romper ou danificar a saúde do corpo e a relação entre os dois?  Como o personal trainer pode ajudar o atleta a superar seus limites para que ele se torne cada vez mais anti-frágil e capaz de resistir as adversidades e as dores do processo? 

“Um profissional antifrágil se preocupa em corrigir os pequenos erros para que eles não se tornem grandes demais no futuro. É como no Growth Hacking: São pequenas melhorias que causam um crescimento exponencial.”

Por isso não faz sentido dar um passo maior que a perna, os riscos vindo de uma grande tentativa tem consequências que podem comprometer outros experimentos.

A filosofia da anti-fragilidade diz que é mais inteligente errar pequeno, várias vezes e de forma rápida. Da mesma forma, com as nossas relações e feedbacks, é mais seguro se conectar primeiro e ir aprendendo e fortalecendo aos poucos.

As armadilhas da jornada para a anti-fragilidade

# 1 – Muita teoria e pouca prática

Taleb, o professor de riscos que pesquisou sobre o assunto e criou o termo anti-fragildiade diz que por mais que os riscos e as incertezas façam parte do mundo sempre haverá aqueles que se colocarão em um papel de xamã, especialista, guru ou consultor para dizer o que fazer nestas situações. 

Esta é uma das armadilhas desta jornada e a espécie que Taleb mais despreza: os teóricos. Segundo ele, os “especialistas” quando dão alguma dica ou sugestão à um outro individuo prometem um benefício no caso de sucesso, mas terceirizam esses riscos ao tomador de decisão. 

De acordo com Taleb que pesquisou o universo incerto do mercado de ações, os conselhos destas pessoas que assumem estes papéis seria como generais mandando suas tropas em excesso para a guerra ou gurus financeiros mandando investirem em algo que eles mesmos não acreditam.

São essas pessoas que posam de especialistas, mas ao causar um dano saem ilesos, que devemos evitar.

# 2 – Soluções simplistas, agir impulsivo e fórmulas mágicas

Taleb pegou emprestado o termo médico chamado Iatrogênia, nome dado à intervenção médica que em vez de resultar em benefícios para o paciente causa danos a ele ou o expõe a riscos desnecessários.

Ele nos lembra que o inferno está cheio de boas intenções e de todos os tipos de pessoas e profissões.  

Na verdade, existe uma influência sutil e profunda na mentalidade operante que parte de pressuposto simplista e linear para identificar o sintoma e tratar as questões. 

A culpa não é das pessoas que querem ajudar e resolver, mas de uma mentalidade fragmentada e simplista que olha apenas para o sintoma e quer fórmulas mágicas e rápidas para agir para resolver.

Taleb faz perceber que poucas pessoas são lembradas pelo que elas evitaram ou pelos conselhos de “não ação”. Continua ilustrando que ninguém foi lembrado por ter dito em 2008: “não invista em ações do mercado imobiliário”.

Culturalmente somos reconhecidos pela ação, não pela inação. Acrescente uma dose de urgência e aguarde os efeitos da impulsividade ou imediatismo. Pronto, estrago feito.

# 3 – Visão limitada e falta de responsabilidade pelos impactos

Esta é uma outra armadilha criada pelo modelo mental vigente: cartesiano, reducionista, racionalista, pragmatista, materialista, imediatista, individualista, e outros istas (que estão na moda de novo): decisões e ações sem visão sistêmica e sem responsabilidade pelos seus impactos.

A partir do momento em que um indivíduo se vê separado do todo, ele se desconecta de empatia e responsabilidade. 

“Isso não tem nada a ver comigo”, é um exemplo desta desconexão e ilusão que ironicamente, a pandemia veio para eliminar. Ora, alguém tem alguma dúvida que o que acontece na China impacta o mundo todo? 

Quantas catástrofes aconteceram na nossa história por conta de orientações teóricas, decisões políticas e escolhas baseadas no ego? 

Quantos foram prejudicados pelos seus  impactos? Quantas organizações e grupos foram destruídos pelas ações de uma pessoa ou de uma minoria? 

Taleb diz que se desenharmos mecanismos para que as pessoas sejam mais parte das consequências de suas ações, reduziríamos os riscos da Iatrogenia.

# 4 – Necessidade de agir e acrescentar

Taleb sugere  que melhor que agir em excesso é agir pela “via negativa” ou seja, quando removemos o que achamos que é errado. É adicionar subtraindo”.

O conhecimento negativo, ou seja, o que está errado e o que não funciona é mais robusto ao erro do que o conhecimento positivo que seria o que é certo e o que funciona. 

Não sabemos o que funcionará no futuro e estamos sendo questionados sobre o que funciona no presente. O fato é que tudo isso é tão complexo e relativo que é melhor ver cada caso de forma fenomenológica, ou seja, no aqui e agora e a partir do fato presente. 

Na prática, a via negativa seria aprender com as decisões e ações do passado e procurar não repeti-las no presente, ou seja, evitar o que foi negativo, prevenir e buscar reduzir os riscos de acordo com o contexto presente.  

Por exemplo, no caso do atleta e do personal trainer, uma postura anti-frágil seria reduz a maioria dos riscos de lesões e acidente a partir de um pequeno número de medidas preventivas. 

Isso significa que o atleta enfrentará desafios, estará exposto a exaustão, sofrerá dores, mas estes estressores ajudarão no seu fortalecimento sem prejudicar sua saúde ou interromper o seu treino. 

Desta forma, ao invés de querer fazer algo a mais ou fazer mais ainda, busca-se evitar ações que causaram danos à ele no passado. 

No caso do atleta, o fortalecimento vem aos poucos, não se pode carregar um peso muito maior do que o limite do corpo. Cada atleta é um. Desta forma, é o conhecimento do atleta e seus limites, a dose ou o peso certo, o jeito, o preparo, as medidas preventivas, o processo, entre outras ações que evitam as ações que causaram danos no passado. 

O antifrágil, desta forma, se beneficia do erros do passado e do caos do presente e por isso ele foca muito mais em se desenvolver do que analisar, planejar minuciosamente ou tentar prever o futuro.

# 5 – Excluir ou desconsiderar o conhecimento dos ancestrais

A mentalidade operante exclui e desvaloriza os conhecimentos ancestrais. 

Este desprezo existe não só pelas crenças místicas que nada mais são do que aquilo que não conseguem explicar como a construção do conhecimento pela tentativa e erro ou experimentação. 

Para Taleb, é melhor nos fixarmos em conhecimento ancestral, porque se é ancestral é porque durou. Se durou é porque é “antifrágil”

Na perspectiva sistêmica, a exclusão e a desonra dos antepassados ou antecessores geram emaranhamentos ou compensações embuídas de sofrimento.

Taleb explica o desprezo pelo conhecimento dos ancestrais como uma obsessão pelo novo, que por sua vez, pode ser explicado biologicamente.

Esta preferência pelo novo é um paradoxo da dinâmica biológica pesquisada por Danny Kahneman – prêmio Nobel de Economia.

Ele e seus colegas estudaram a reação do cérebro humano ao adquirir coisas novas. Segundo os autores, as pessoas que adquirem um novo item, sentem-se mais satisfeitas depois de um impulso inicial, porém que volta rapidamente à sua base de bem-estar. 

Então, quando você adquire algo novo, você sente um aumento de satisfação com as mudanças na tecnologia. Mas então você se acostuma e começa a procurar a nova coisa nova.

É desse mesmo motivo que as pessoas tem a atração por conhecimento novo. 

Para Taleb não deveria ser assim já que o velho é mais robusto e uma tecnologia que sobreviveu por um longo tempo provavelmente sobreviverá por mais tempo.

O conhecimento mais importante ainda é o de valores e princípios essenciais, que por sua vez, é atemporal e universal.

E você, quer cultivar o essencial e ser alto-frágil sem cair nas armadilhas rumo à anti-fragilidade?

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