Você sabe o que é disruptivo? | Descubra como a inovação...
26 de outubro de 2017 monica santos

Inovação Disruptiva ou ser disruptivo: Você sabe o que significa?

Inovação disruptiva ou disruptivo, o que é isso? Pode até parecer uma palavra da moda corporativa, mas prefiro dizer que é uma linguagem de start-up ou de pequenas empresas com grandes e novas idéias que estão ditando uma nova gestão e ajudando a criar um mundo novo – mais integrado, colaborativo e ágil.

Essa linguagem pode ser vista como uma onda, provocada por um movimento crescente e profundo de pessoas com uma nova consciência ou forma de pensar.

Mas o que é disruptivo?

Disruptivo é aquele ou aquilo que interrompe o seguimento normal de um processo. Logo, é muito mais revolucionário do que evolutivo. Por outro lado, também não é revolucionário, porque suas idéias e propostas não derrubam uma ordem pré-estabelecida, mas introduz o novo, coexistente na mesma realidade.

O que temos visto é que a disrupção tem influenciado na gestão, na cultura, na inovação, etc, e tem inspirado muitos empresários e empreendedores tradicionais a sair do lugar comum. Talvez seja pelo fato de apresentar uma maneira diferente e melhor de fazer algo que muitos precisavam, mas não tinham. Talvez pelos resultados que estão tendo e mostrando que é possível fazer diferente.

O especialista Roberto Duarte explica que, enquanto empresas convencionais se dedicam a aprimorar seus produtos e serviços, com o objetivo de atender aos clientes mais exigentes e abastados, empresas com mentalidade inovadora e visão de oportunidade investem naqueles dois segmentos de mercado tidos como menos rentáveis: o de menor poder aquisitivo e o de novos clientes.

Helena Margarido, co-fundadora do Instituto Bitcoin Brasil,  disse, em um artigo, que “empresas disruptivas têm enraizada em sua cultura a não aceitação da realidade como é imposta. É a ideia de que ‘se ninguém fez, então seremos os primeiros.”

Essa nova possibilidade de nadar no oceano azul fez brilhar os olhos de muita gente entusiasmada em transformar seus negócios em unicórnios. Parece papo de alucinado, mas estamos falando do universo pararelo das start-up.

O que são unicórnios?

Não falo das figuras mitológicas, nem dos lindos cavalos alados com um chifre na testa. Unicórnios no universo corporativo, são aquelas nano empresas tecnológicas que por terem muita escala e potencial tiveram um crescimento superacelerado, impulsionado por muito investimento privado (ou capitais de risco) e que valem milhões ou bilhões de dólares.

Elas nasceram integradas em ondas de inovação tecnológicas e tem seus negócios focados no consumidor e não em serviços ou produtos para empresas. Exemplos: Uber, Airbnb, Snapchat, Spotify, 99taxi.

O que essas empresas tem em comum é uma cultura de inovação dentro de um ecossistema digital fértil que possibilita um grande e rápido crescimento.

Se o modelo disruptivo é a base da cultura dessas start-up que estão “causando” no mundo dos negócios, pode ser que esse passaporte de inovação e rápido crescimento possa ser um acelerador cultural poderosíssimo para aquelas empresas tradicionais que tem mais dificuldade em mudar – ou pela cultura ou pelo tamanho ou pelo os dois!

Como surgiu o termo disruptivo?

O termo disruptivo (do inglês disruptive) surgiu em meados dos anos 1990 por um professor da Harvard chamado Clayton M. Christensen. Ele usou o negativo adjetivo usado para qualificar estudantes desordeiros para criar um termo que representasse um novo modelo de gestão corporativa. Esse termo era muito empregado para falar das condutas disruptivas dos alunos. Sabem aqueles rebeldes que não aguentam a chatice do mesmo e das regras impostas? Então, o comportamento desses divergentes e insurgentes alunos, que geralmente sentavam no fundão, ajudou a criar um termo que está na primeira fila na sala de aula dos negócios bilionários e revolucionários!

Muito pertinente, já que acredito que a disfunção propõe uma nova ordem ou um modelo mais caórdico, (isso mesmo, é outro termo usado para ilustrar uma forma de fazer as coisas com caos e ordem. Acredito que o lema dos disruptivos pode ser visto no slogam da Apple – think different (pense diferente) e se encaixa no perfil dos disruptivos, inquietos e inconformados, ou melhor, nasceu com essa nova geração que adora tecnologia, adrenalina, novidades e mudanças.

Outra grande característica dessa geração é que eles não tem medo de correr altos riscos, de desafiar o  “status quo” da sociedade ou de questionar a autoridade dos “tiozão” (e dos pais) ou de competir com as pesadas e gigantes corporações ou de olhar para o desconhecido ou de se relacionar e ouvir as verdades do mercado consumidor.

As start up, ou as empresas que estão sendo disruptivas, estão mostrando uma nova forma de fazer negócios. Não só porque criam novos valores para uma gestão diferente ou porque focam no cliente e interagem com mercados falantes, mas principalmente porque estão provando que é possível ter sucesso (e ainda ser feliz) de uma outra forma.

Os resultados e seus valores de mercado não só mostram, por si só, mas tem o poder de “subir a barra”, ampliar a consciência e convidar muitos à olhar para baixo e ver os terrenos cristalizados das empresas tradicionais com suas estruturas grandes e pesadas, sua gestão verticalizada e autoritária, seus processos burocráticos e lentos, sua cultura com base na hierarquia e no controle e uma melhoria lenta de produtos e serviços.

O disruptivo não quebra a realidade existente, ele cria sua própria realidade através de uma cultura diferente. Simplesmente, porque ele não aceita o jeito antigo de fazer negócios ou não quer se relacionar com tantas regras e distanciamento – que não atendem suas novas necessidades.

A disrupção e o futuro

Vejo o futuro de braços abertos para aqueles que nasceram assim ou que adotaram esse estilo e se adaptaram ao modelo disruptivo.

Esse catalizador de mudanças e transformações está sendo responsável em criar um mundo novo e um futuro bem diferente do que conhecemos hoje. Inovação disruptiva, gestão disruptiva, negócios disruptivos, culturas disruptivas e pessoas disruptivas serão de extrema importância nesse processo. E, estarão em plena e rápida expansão. Assim diz o código do seu DNA.

Para Otto Scharmer, a liderança disruptiva tem um papel fundamental para as organizações se adaptarem às mudanças e construir esse novo futuro.

Suas idéias foram resumidas em 4 questionamentos importantes:

  • Diante de um cenário disruptivo, que futuro emergente já é possível discernir?
  • Como lidamos com o futuro emergente?
  • Que estrutura econômica evolutiva pode nos guiar?
  • Como podemos criar estratégias práticas que nos ajudem a operar a partir do futuro que queremos criar?

Perguntas importantes que nos leva a reflexões fundamentais para o atual contexto, tão epilético e esquizofrênico, que estamos vivendo.

A evolução do mundo necessita urgente de um novo modelo de pensar, sentir e agir- mais integrado, sistêmico e inclusivo. Assim como as empresas, precisam de uma cultura mais colaborativa e inovadora e uma gestão com mais proximidade, simplicidade e liberdade de ser, expressar, questionar, errar, propor e criar.

Em outras palavras, o futuro precisa de pessoas corajosas e disruptivas que ousem quebrar o padrão e fazer diferente.

De acordo com o mundo dos negócios descrito por Christensen, a inovação disruptiva não subverte o mercado, mas cria novas regras onde o pequeno pode vencer o grande. Uns podem pensar que é por ser mais veloz, outros por ter mais fôlego e conseguir se movimentar mais, outros por ser ousado em lutar com os gigantes com um instrumento tão pequeno.

Não importa o que pensam, o que não podemos negar é que esse instrumento tão pequeno chamado tecnologia,  e que pode ser criado num pequeno quarto com algumas grandes mentes, não pode ser subestimado. Assim como o poder da disrupção e de uma cultura mais livre e integrada.

Que o futuro precisa de uma disrupção no modelo mental e na cultura, eu não tenho dúvidas nenhuma. Resta agora fazer a nossa parte e torcer para que essa disrupção, aliada com seu poderoso instrumento digital, venha acompanhada de uma cultura ética onde a liberdade e a inovação esteja junto com os princípios e com a responsabilidade pelo bem comum – da nossa humanidade, do nosso ecossistema e do nosso planeta.

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