As 10 leis da simplicidade e sua complexa missão no mundo dos negócios - Elos 360
22 de agosto de 2017 monica santos

As 10 leis da simplicidade e sua complexa missão no mundo dos negócios

Nunca na história da humanidade tivemos tantas coisas e opçōes, sem falar dos botōes e acessórios.

O avanço industrial e o crescimento do consumo fez das melhorias e inovações uma fonte inesgotável de variedades e de complexidades (muitas vezes desnecessárias).

O fato é que usamos muito pouco do muito que temos. Um pequeno exemplo pode estar nas suas mãos ou bem na sua frente!

Muitas vezes, sinto que, ao invés de ajudar, o excesso atrapalha, uma vez que complica, dificulta e atrasa.

Gosto muito da frase de Bert Hellinger que diz que o essencial é simples. Esse é o mesmo principio do estilo minimalista do menos é mais. A simplicidade é o oposto do excesso, que dificulta enxergar o essencial e o importante.

Estamos vivendo em um contexto de transformação onde o resgate da simplicidade vem de encontro à essa necessidade de se aproximar do essencial, do simples.

Simplicidade 

John Maeda, um pesquisador da MIT escreveu um livro sobre como atingir a simplicidade na era digital. Chama-se: “As leis da simplicidade”. Site: lawsofsimplicity.com

Meu gosto por design e meu encantamento pelo assunto da simplicidade me fez consumir o livro de uma vez (tá certo que ele é bem fininho) e meu propósito de contribuir, me fez transformar o resumo que fiz do livro nesse artigo. (Afinal, do que adianta se encher de conhecimento se ele não está a serviço de alguém ou de algo maior que nós mesmos!)

De acordo com o autor, design, tecnologia e negócio trabalham juntos. A máxima do menos é melhor atende o mercado que busca simplicidade junto com a melhor experiência do consumidor – não é a toa o sucesso da Apple.

Mas o que é simplicidade?

Maeda define a simplicidade como “uma qualidade de design é uma ferramenta estratégica para lidar com as complexidades organizacionais.”. (Conceito não muito simples, ao meu ver.)

“Simplicidade é não ser possuído por aquilo que possuis”. Não sei o autor, mas inspira uma liberdade própria e genuína de quem adota esse estilo de vida.

Quais são as 10 leis da simplicidade de Maeda para lidar com a complexa missão no mundo dos negócios

Lei 1 – Reduzir de forma conscienciosa

Resumo:

simplicidade

  • diminuir o que puder – eliminar, encolher ou afinar

simplicidade

  • esconder sem perder o sentido do valor inerente, tipo ocultar a complexidade
  • agregar maior sentido de qualidade por meio de materiais sofisticados e mensagens sugestivas

Lei 2 – Organizar 

Existe um princípio organizador interno usado pela mente que tem uma poderosa capacidade de detectar e estabelecer padrões. A psicologia da gestalt explica isso.

A tendência da mente é continuar a preencher lacunas.

simplicidade

Procuramos natural e sistemicamente a ordem. Os seres humanos são seres organizacionais e, inconscientemente, procura agrupar e categorizar tudo o que vê.

Os melhores designes distanciam-se quando contemplam algo. Para ver a floresta e precisa se afastar das árvores. O equilíbrio certo, na gestalt, possibilita enxergar mais vendo menos.

Perguntas para o processo de descomplicação:

1- ocultar o que?

2- onde colocar?

3- o que vai com o que?

Lei 3- Economia de tempo 

A redução do tempo transmite simplicidade e otimização para se gastar com outra coisa.

De fato, o tempo transformou-se em precioso valor e grau de importância no mundo de hoje.

A solução é eliminar todas as limitações, deixar que a tecnologia faça as pesquisas de acordo com as suas preferências e escolhas (aquelas que não são tão importante) por você.

Em outras palavras, usar a tecnologia para facilitar a vida e aproveitar melhor o tempo. As pessoas estão cada vez menos tolerantes com a espera e muitas empresas tem buscado resolver essa equação para melhorar a experiência de compra.

Como agilizar o processo?

Como tornar a espera mais curta e tolerável?

Lei 4 – Aprender

O conhecer torna tudo mais simples. De fato, acredito que o conhecimento, quando tornar-se sabedoria é o principal antídoto para o mal da ignorância

Aprendizados e ferramentas adequadas vale mais que 50% para melhor qualidade e menor tempo de trabalho. De acordo com Maeda, gastar tempo com tarefas simples viola a lei 3, logo desparafusar a mão e sem o aparelho específico ou dar um aparelho que a pessoa não sabe manusear complica o que pode ser muito simples.

É preciso de motivação para aprender. A aprendizagem tem mais sentido quando existe o desejo de alcançar um conhecimento específico. Para que? O que ganho com esse saber?

Algumas dicas:

Aprenda o básico primeiro

Repita com freqüência

Não se desespere com o erro

Inspire com exemplos

Nunca deixe de repetir

Lei 5 – Diferenças

Simplicidade e complexidade necessitam uma da outra.

Reconhecer constantes diferenças ajuda a identificar qualidades que desejamos e que estão tremendamente sujeitas a mudanças.

Diferenças nos ajudam a evoluir.

Complexidade implica na sensação de estar perdido e simplicidade na sensação de estar localizado.

As transições do simples para o complexo são a chave para o ritmo da sensação. Isso só acontece pelas diferenças.

Lei 6 – Contexto

         O que reside na periferia da simplicidade, definitivamente não é periférico.

O espaço em branco é convidativo e desperta o orgulho de não se submeter a ela e colocar sua marca, preencher tudo e dar utilidade.

Aquilo que parece ser relevância imediata pode não ser importante quando comparado a tudo ao nosso redor. Por isso, a importância do contexto.

         A simplicidade necessita de atenção a tudo o que aparentemente não importa.

Até que ponto suporto sentir ser direcionado?

Até que ponto consigo ficar sem direção?

O design, por sua vez, busca maximizar os espaços em branco. Ampliar o contexto do vazio para focar a atenção do que quer ser destacado.

Em outras palavras, quanto mais mantem-se o branco, mas aumenta a atenção sobre o que se diferencia dele.

simplicidade

Lei 7 – Emoção

Mais emoções é melhor do que  menos. Pessoas buscam emoção por trás da compra e das experiências.

A forma que obedece a função dá lugar ao sentimento que obedece à forma? O design busca emoção, mais do que a função.

Estamos na era dos smileys, dos acessórios, da necessidade de autoexpressão e de calor humano. Não basta dizer, é preciso mostrar!

No japão, existe um termo para o sentimento de apego que uma pessoa sente por um objeto – aichaku ( ai ( amor) chaku ( encaixe) )

Reconhecer a existência de aichaku em nosso ambiente ajuda a inspirar e criar design nas coisas pelas quais as pessoas vão sentir empatia e afeto e querer cuidar por toda a vida.

Lei 8 – Confiança

Na simplicidade nós confiamos. Simples assim.

O complicado e complexo muitas vezes acionam a insegurança e o medo de não saber e do que pode acontecer.

O quanto você precisa saber de um sistema e o quanto o sistema  sabe sobre você? É preciso confiar no sistema em detrimento da falta de privacidade.

Lei 9 – Fracasso

Algumas coisas nunca podem ser simples. (geralmente não são coisas!).

Reconhecer esse fato, elimina frustrações desnecessárias.

Muitas vezes é preciso respeitar a complexidade de algumas dinâmicas, por exemplo: a arte e os relacionamentos.

Lei 10 – A Única

A simplicidade consiste em subtrair o óbvio e acrescentar o significativo.

solução 1 – distanciamento – o mais parece menos simplesmente afastando -se para bem longe

solução 2 – abertura – o poder de muitos supera o poder de poucos – é preciso confiar

solução 3– energia – use menos ganhe mais

Crença no campo de design de que com mais limitações revelam-se melhores soluções. O espírito criativo anda junto com a necessidade.

Em resumo:

“Simplicidade é a alma do design.” – Rob Forbes ( Fundador da empresa de design norte americana design thinking reach)

Quem sabe a simplicidade possa ser um novo estilo de vida? Menos é mais emoção e relacionamento, é mais tempo com pessoas e conexões. Afinal, as melhores coisas da vida, não são coisas!

E como diz Maeda, as poucas coisas preciosas que se dá ao luxo de guardar até o fim da sua vida são as memórias.

Que possamos então, lembrar que o ser e o se relacionar estão na frente do ter e do consumir. Simples assim.


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