Por que o Magazine Luiza é um case de sucesso em Harvard? - Elos 360
30 de janeiro de 2017 monica santos

Por que o Magazine Luiza é um case de sucesso em Harvard?

Varejista com mais de 22 mil colaboradores e mais de 740 lojas chamou a atenção da instituição de formação empresarial mais importante do mundo por ter crescido seu faturamento em 415% em 10 anos.

Todos nós gostamos de casos de sucesso sabe por que? Porque eles estimulam a nossa curiosidade e nos trazem altas doses de inspiração. Quando sabemos que é possível conquistar determinada coisa, transformamos nossas próprias crenças e nos posicionamos de forma mais positiva diante de grandes transformações.

Mas afinal, como uma rede de varejo que teve início em Franca, no interior de São Paulo, foi parar na Harvard Business School, a instituição mais conceituada de formação em administração do mundo? Veja AQUI o artigo sobre o case no site oficial da instituição (em inglês).

A resposta é: cultura organizacional. Ou seja, o Magazine Luíza ganhou essa posição de destaque mundial graças a uma série de valores e princípios compartilhados que, quando instituídos na empresa, orientam o jeito de ser e de se relacionar entre membros da empresa. Sim, membros, porque ‪há 14‬ anos prestando serviços para essa empresa, posso lhe dizer que ela é uma empresa viva e tem algo que gosto de chamar de alma. ‬‬

Assim como um ser humano, a empresa também não é perfeita e seus membros cometem erros, e até aí, não há nenhum problema. Seus acertos são maiores e percebidos de fora, e seu principal diferencial, percebido por dentro. É inspirador ver a busca pelo certo e pelo novo, a ousadia de fazer diferente, o estímulo pelo olho no olho, pela verdade e transparência, assim como a valorização das pessoas, o construir junto, a celebração de conquistas e reconhecimento dos destaques. A lista de valores essenciais continua. E quem não gostaria de trabalhar em uma empresa que estimula o melhor de cada um e a busca o ganha-ganha?

Mas, como é a cultura organizacional do Magazine Luíza?

Cultura se faz de cima para baixo através do “cérebro-gestor”, o empreendedor, o proprietário ou o CEO (chefe). Neste caso, essa história bacana começou lá atrás com a mente de uma grande líder, a Luiza Helena, assim que assumiu a empresa de sua tia, D. Luiza.

Numa época departamentalizada, onde cada um ficava no seu quadrado fazendo as tarefas que lhes eram atribuídas, Luiza quebrou paredes e horizontalizou relações, criando uma política de portas abertas com simplicidade, abertura ao diálogo e foco no fazer acontecer.

A prática sempre esteve a frente da teoria e a ética a frente dos resultados. Quantas vezes presenciei o direcionamento para falar a verdade ao cliente, não embutir serviços e buscar um lucro saudável.

Nestes últimos anos, foi levantada uma bandeira dos inegociáveis – uma forma de não abrir mão dos princípios que buscam o bem comum e um crescimento com alma. A cultura, no caso do Magazine Luíza, começou de dentro, inspirada pela personalidade da Luiza e foi, aos poucos, sendo institucionalizada de forma orgânica e transparente.

Luíza Helena

Como é por dentro do Magazine Luíza?

Lá não se vê placas de missão, visão e valores na parede – tão comum em empresas comuns. Frases como o hino da empresa e do Credo ilustram fragmentos da “alma” da empresa, foi repassada com comunicação interna e exemplos. Falando nisso, e, sabendo do quanto líderes são guardiões multiplicadores da cultura, investimentos no desenvolvimento e ampliação de consciência são feitos periodicamente, assim como rtabalhos de fortalecimento de cultura e clima – preventivo e interventivo.

O valor pela colaboração e democracia criou o conselho de colaboradores e a regra de ouro ficou registrada atrás dos crachás, e lembra as pessoas para fazerem aos outros o que gostariam que fizessem a elas próprias.

Sei que na teoria tudo parece fácil, mas é impressionante como a prática, cada vez mais, tem provado que vale a pena investir em valores e princípios essenciais, não só por se tornar modelo mundial e exemplo na Harvard Business School, mas porque dá resultados – quantitativos e qualitativos e é bom para todos!

Além de estar sempre a frente da cultura organizacional, Luiza Helena gosta de passar o conhecimento à frente e está disposta a compartilhar com seus colaboradores e parceiros o que aprende e descobre. Quem já trabalhou lá deve se lembrar das fitas cassetes e dos encontrões memoráveis. Hoje, com o passer do tempo e com o avanço da tecnologia, vieram as tvs e as rádios corporativas, um rápido crescimento, uma abertura de capital e novas estratégias.

Atualmente, a cultura do Magazine Luiza está nas mãos do novo presidente: o filho da Luiza Helena, Frederico. O desafio de gerir uma grande empresa varejista com mais de 22 mil colaboradores e 700 lojas, torna-se também a promessa de manter a essência dessa cultura de princípios que, na verdade, não é personalizada ou exclusiva da Luiza Helena, mas pertencente a todos os profissionais que se sentem parte de um Todo, se orientam por ética e empatia e buscam o bem comum dentro e fora do seu ambiente de trabalho.

O desafio da cultura de princípios na era digital

Na cultura de princípios os líderes e colaboradores têm a certeza de que a verdade liberta e que a integridade junto com a transparência constróem relações de confiança. Uma cultura de princípios ajuda a fortalecer a alma da empresa, faz cada um se sentir parte de uma grande família e incentiva todos a dar o seu melhor.

É neste ambiente que Frederico agora tem o desafio de manter as raízes com um novo posicionamento digital, que faz o mesmo convite “vem ser feliz”, mas de forma diferente. Dessa vez, a empresa convida à ser feliz de várias formas, em múltiplos canais e plataformas.

O trabalho de crescer digital e com alma é árduo e continuo e o primeiro cliente é o interno – o colaborador. No meu ponto de vista, as estratégias adotadas nesta era digital estão sendo bem sucedidas e o desafio do Fred (assim chamado) foi aceito por suas lideranças e colaboradores. Não é a toa que a empresa é, ainda, uma das melhores para se trabalhar no Brasil. Espero e contribuo, assim como os demais, para que seja assim por muito tempo!

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